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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A "Diva" portuguesa.


A minha homenagem.
Por razões óbvias.

domingo, 21 de novembro de 2010

Dulce Cabrita



Licenciada em Economia, tinha o curso Superior de Bibliotecária-Arquivista da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Foi Directora dos Serviços de Documentação da Universidade Técnica de Lisboa.
Estreou-se em “Porgy and Bess” (“Annie”) em 1973 no S.Carlos.
Intérprete de excepção de Lopes Graça, deu numerosos concertos nos anos 60 e 70.
Foi companheira do escritor Diniz Machado.
Nasceu e morreu no Barreiro.
No esquecimento generalizado que sempre tem coberto os cantores portugueses. No anonimato. Triste e injusto.
Dulce Cabrita (1928-2010).

(Fonte: “Cantores de Ópera Portugueses”, de Mário Moreau, Terceiro Volume).

segunda-feira, 29 de março de 2010

Fernanda Machado


Quem se recorda de Fernanda Machado (1933-1984)?
E quantos sabem que cantou ao lado de Aldo Protti, Cappuccilli, Kabaivanska, Italo Tajo e muitos outros famosos, em palcos estrangeiros, após a sua estreia, em 1952, com Tomás Alcaide?
Entre 1959 e 1973, foi presença assídua em Turim, Colónia, Frankfurt, Zurique, Merano e Milão, regressando por períodos a São Carlos e ao Trindade.
As suas interpretações no “Barbeiro de Sevilha” ou no “Rigoletto” granjearam-lhe inúmeros admiradores, e basta consultar as críticas da época, para nos apercebermos da enorme qualidade da cantora. Gabavam-lhe os “agudos cristalinos”, a “técnica segura” e um “jogo cénico admirável”.
Quando faleceu, com 50 anos, era professora no Instituto Donizetti, em Bergamo.

Uma grande cantora portuguesa.


(Fonte: Mário Moreau, “Cantores de Ópera Portugueses”, Vol. III)

domingo, 29 de novembro de 2009

Lomelino



Muito poucos cantores líricos portugueses tiveram uma carreira tão brilhante como o tenor Lomelino Silva (1892 – 1967).
Mas a esmagadora maioria dos amantes de ópera perguntará: “Quem?”.
De seu nome completo Nuno Estêvão Lomelino Silva, nasceu no Funchal e morreu em Lisboa.
Cantou os grandes papéis em quase todos os grandes palcos, dirigido pelos maiores maestros, dos quais lembraremos apenas como exemplo, Tullio Serafin.
Dos Estados Unidos à África do Sul, de Itália ao Brasil, Lomelino foi uma enorme figura da sua época, não sendo, seguramente, por mero acaso, que o Dr. Mário Moreau lhe dedica perto de 60 páginas, na sua importante obra sobre os cantores portugueses.

No “Honolulu Observer”, em 1932, podemos ler:

“Critics have likened him to Caruso. But he is not like him, or other any tenor we have heard. His voice is his own and his methods, while existing long and studious training and practice, are personal”.

(Fontes: Mário Moreau, “Cantores de Ópera Portugueses”, Segundo Volume; Revista ABC de 1929)

domingo, 24 de maio de 2009

Carlos Fonseca


Nunca mais ouvi falar dele, mas lembro-me bem de o ver e ouvir em S.Carlos e de me dizerem que era um dos bons “baixos” portugueses, a par de Álvaro Malta.
E, embora garoto, gostava daquela voz de baixo quase “profondo”, a lembrar aquela que mais tarde “descobri” em gravações, a do fantástico Tancredi Pasero.
Carlos Fonseca nasceu em Lagos, em 1930.
Muito novo ingressou no coro de S.Carlos, mas é no início dos anos 60 que integra a saudosa “Companhia Portuguesa de Ópera”, e aí inicia uma brilhante carreira, notabilizando-se nos anos seguintes em “D.Basilio” do “Barbeiro de Sevilha” e”Colline” da “Bohème”. Ainda hoje alguns recordarão igualmente o seu “Sparafucile” do “Rigoletto”.
Mas seria só em 1967 que teria oportunidade de um papel principal, no “Don Pasquale”, com Zuleica Saque, Armando Guerreiro e Hugo Casaes.
No “Actualidades” de 13 de Maio desse ano, escrevia Judith Lupi Freire:

“Carlos Fonseca apresentou-se pela primeira vez num papel principal e de muita dificuldade vocal e cénica. E a sua estreia foi espectacular: que densidade e que inflexão de voz! Que segurança e exactidão nos movimentos! Que detalhes vocais e cénicos tão psicológicos e sugestivos! Portou-se como um artista completo e isto numa estreia é excepcional!”

E assim continuou.
Na década de 70 fez parte da esmagadora maioria dos elencos de S.Carlos, sempre seguro e profissional.
Deixou de cantar em 1983.


(Fonte : Mário Moreau, “Cantores de Ópera Portugueses”, Terceiro Volume.)

domingo, 22 de março de 2009

Cristina de Castro



Com pouco mais de 20 anos, Cristina de Castro estuda canto com Elena Pellegrini.
Estreou-se no S.Carlos em 1955, num dos “pagens” de “Tannhauser”, e no Coliseu dos Recreios canta pela primeira vez em Novembro desse ano, na ópera “Um Sonho de D. João V”, da autoria do Conde da Esperança.
Presença constante nestes dois palcos, sobre ela escreveu Joly Braga Santos:
“Não só a sua voz é linda e exemplarmente colocada, como revelou um talento histriónico excepcional”.
Em 1958 integra o elenco da célebre “Traviata”, com Maria Callas e Alfredo Kraus, fazendo o papel de “Annina”. (Na foto, Cristina de Castro com Callas)
Em 1960 participa num concurso internacional de canto, em Liverpool, classificando-se como a melhor cantora estrangeira.
Três anos depois inicia a sua colaboração na Companhia Portuguesa de Ópera, do Trindade, cantando a “Rosina” do “Barbeiro de Sevilha”.
A sua carreira prossegue até princípio dos anos 70, altura em que se torna professora do Conservatório Nacional.
Quem se recorda das temporadas de S.Carlos e do Trindade nos anos 50 e 60, certamente não esquece Cristina de Castro.

(Fonte: Mário Moreau, "Cantores de Ópera Portugueses", Vol.3)

sábado, 14 de março de 2009

Dora Rodrigues


Nasceu em Braga, mas está em Espanha, onde estuda com Elisabete Matos.
Dora Rodrigues é já um nome na Ópera portuguesa.
Jovem ainda, impõe-se pela qualidade da voz, pela entrega aos papéis que lhe confiam, e que, apesar de terem sido, até agora, pequenos, mostram o potencial da cantora.
Estreou-se na “Carmen”, no papel de “Frasquita”, no Círculo Portuense de Ópera, em 1998, e já cantou em S. Carlos.
Mas merece mais e melhor.
Quem teve oportunidade de assistir ao “Opera Premium” que a RTP transmitiu no último Natal, apercebeu-se rapidamente que estamos na presença de um belo soprano, de quem muito há a esperar.
Que Espanha faça dela uma estrela, se Portugal, uma vez mais, virar as costas aos seus artistas.

Ei-la na “Adina” do “Elixir de Amor”:


quinta-feira, 5 de março de 2009

Elisabete Matos

Reconheço que, por vezes, formulamos juízos precipitados, por falta de informação.
Quando finalmente a temos, compete-nos repôr a verdade a que faltámos anteriormente.

Sei neste momento, de fonte segura, que Elisabete Matos não cancelou a "Salome" em S.Carlos. Não é por sua vontade que não cantará o papel.

À excepcional cantora portuguesa apresento desculpas pelo "post" anterior, cuja premissa era errada.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

"Chico Redondo"


D. Francisco de Sousa Coutinho (1866-1924).
Nasceu num palácio.
“Chico Redondo”.
Morreu numa Casa de Saúde para indigentes mentais.
Uma e a mesma pessoa.
Barítono.
Cantou pela primeira vez em público com o “Fausto” (“Valentim”) no Teatro do Príncipe Real, do Porto, em 1888.
Lia-se, a propósito, no “O Primeiro de Janeiro”:…uma poderosa voz de barítono, dum timbre incomparável, quente, igual em todos os registos, rico de tonalidade e colorido…”
Parte para Milão, e ali canta o “Poliuto”, com êxito assinalável. Mas era Paris que o atraía, cidade onde vive alguns anos de grande boémia. Em 1896 assina um contracto com a Ópera de Berlim, estreando-se em Fevereiro de 1897 com “Os Palhaços”. Tanto bastou para o sucesso. Que se tornou verdadeiramente notável com a sua interpretação em “Falstaff”, papel que o celebrizou, e que, segundo muitos, era o melhor do seu tempo.
Em 1900 está nos Estados Unidos, cantando em Washington e Nova Iorque.
Ganhava fortunas. Tudo esbanjava.
Suécia, Dinamarca, Brasil, Polónia e mais países têm o privilégio de o ouvir até à I Grande Guerra, altura em que regressa a Portugal.
Velho, cansado, pobre.
Percorre o país em digressões de operetas, mas a voz está arruinada.
Começou a dar aulas de canto, mas os sinais de perturbação mental eram já nítidos, sendo internado em 1923 e falecendo no ano seguinte.
Vale a pena ler a notícia reproduzida em cima.
Um enorme cantor português, hoje quase desconhecido.
“Chico Redondo”.

Fontes:
“Cantores de Ópera Portugueses”, Segundo Volume, de Mário Moreau.
“Revista ABC” de 1923.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Carlos Guilherme

É o tenor português mais conhecido, na actualidade.
Carlos Guilherme (nasceu em 1945) viveu boa parte da sua vida em Moçambique, onde a sua voz era muito apreciada. Mas o seu primeiro papel em ópera aconteceu na então Rodésia, onde cantou o “Ricardo” de “Um Baile de Máscaras”.
Em Portugal, estreou-se na Amadora em 1981, cantando o “Mr.Pierre” de “A Vingança da Cigana”, e nesse mesmo ano em S.Carlos com o “Malcolm” do “Macbeth”, com Renato Bruson no papel principal. E desde então, tem sido presença assídua naquela sala, interpretando os mais variados papéis.
Membro da Ópera de Câmara do Real Teatro de Queluz, com Elsa Saque, Wagner Dinis e Ana Ferraz, o tenor tem cantado pelo país inteiro, sendo seguramente uma das poucas figuras conhecidas do mundo da ópera portuguesa, junto da opinião pública.
Prémio “Tomás Alcaide” em 1985.

Já lhe perdoei o ter emprestado a sua voz a anúncios de peixe congelado...porque percebo quão difícil é a vida para um cantor lírico em Portugal.

(Fonte: “Cantores de Ópera Portugueses” de Mário Moreau)

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Carla Basto

Há casos assim, mas no meio lírico português, onde os verdadeiros talentos não abundam, causa estranheza e mesmo perplexidade não se saber, com exactidão, o que aconteceu a uma das melhoras cantoras.
Refiro-me a Carla Basto, soprano.
Nascida em 1955, recebe de Gino Bechi as primeiras lições, estreando-se em 1972 na “Papagena” da “A Flauta Mágica”, no saudoso palco do Trindade.
No ano seguinte canta a “Sophie” do “Werther”, e marcaria presença em muitas óperas nas temporadas seguintes.
Quando a Companhia Portuguesa de Ópera se extingue, Carla Basto parte para Milão, onde se inscreve no Conservatório de Vercelli. A sua estreia em palcos italianos acontece em 1977, na “Musetta” de “La Bohème”.
Um espectáculo na RAI abriu-lhe então outras “portas”, e em 1979 a cantora portuguesa actua na Colômbia, e depois em São Paulo, Barcelona, Klagenfurt, Rio de Janeiro e França. Em 1981 está em Dublin, como protagonista da “Lucia”, e no fim desse ano no Peru, com Luigi Alva no “Barbeiro de Sevilha”. E daí parte para as Canárias, onde canta, com Alfredo Kraus, “Os Contos de Hoffmann”.
Só volta a Portugal em 1986, onde cantou, em S.Carlos, “O Rapto do Serralho”.
Depois…desapareceu….
Quantas cantoras portuguesas têm uma carreira com esta qualidade?
No entanto, ninguém sabe quem é Carla Basto, onde está, se ainda canta….
Só em países com grande riqueza de talentos é possível um caso destes….
Sabemos da existência de uma gravação da “Missa” de Catalani, feita em 1985, e nada mais.


Fonte: Cantores de Ópera Portugueses”, de Mário Moreau, Vol. III

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Elsa Saque


Estreou-se como “Pastor” na “Tosca”, no Teatro da Trindade.
E aí começou uma brilhante carreira de soprano, com um nível internacional.
Elsa Saque.
Bolseira do Instituto de Alta Cultura, por proposta do grande Gino Bechi, estuda durante dois anos em Palermo, onde actua por diversas vezes, demonstrando as suas altas qualidades.
“A pureza de estilo, a musicalidade impecável e uma expressividade do melhor gosto são predicados que distinguem esta jovem cantora”, escrevia em 1971 a saudosa Maria Helena de Freitas.
Cantou ao lado dos maiores intérpretes, merecendo sempre o aplauso da crítica e do público, que sempre lhe manifestou o apreço que lhe dedica.
S.Carlos e Trindade, mas também Coliseu são palcos que pisou em muitas noites de glória.
Grava pouco, como acontece com todos os cantores líricos portugueses, mas selecciona criteriosamente o seu reportório.
Fundadora da Ópera de Câmara do Real Teatro de Queluz, Elsa Saque canta por todo o país, mas infelizmente a nossa televisão há mais de uma década que não transmite qualquer um dos seus concertos.
Como é norma….

Fonte : “Cantores de Ópera Portugueses”, de Mário Moreau.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Francisco de Andrade

Há muitos anos, ao visitar em Salzburgo a casa de Mozart, deparei com um quadro retratando um cantor português, Francisco de Andrade.
Com curiosidade, perguntei ao guia a razão pela qual um cantor português figurava ali, e a resposta foi simples:
“Foi considerado, na sua época, o melhor “D.João” a nível mundial”.

Francisco Augusto de Andrade e Silva nasceu em Lisboa em 1856, e com 25 anos decide estudar canto em Milão, estreando-se em San Remo em 1882, no “Amonasro” da “Aida”. O sucesso foi imediato. É logo contratado para Roma, Florença e Parma. E daí para todo o mundo.
Cantou todos os grandes papéis de barítono, mas foi o “D.João”, de facto, que o eternizou. Citando, com a devida vénia, Mário Moreau:
“Francisco de Andrade tinha uma interpretação verdadeiramente ímpar, que ficou lendária e que, até aos nossos dias, talvez não tenha tido quem a igualasse”.
Dando assim razão à direcção da casa Mozart, na cidade austríaca.
Francisco de Andrade morreu em 1921.

Foi, sem dúvida, o maior cantor português, e é pena que não haja registos da sua voz, pelo menos disponíveis.
Primeira figura em todos os palcos europeus, alcançou uma projecção absolutamente notável, fruto do seu talento.
Portugal, como quase sempre acontece, esquece-o.

(Fontes: Mário Moreau – Cantores de Ópera Portugueses, primeiro volume, páginas 667 e 703)

domingo, 20 de janeiro de 2008

Hugo Casaes


Vou hoje recordar aquele que muitos consideram como um dos bons barítonos portugueses.
Hugo Casaes (1919 – 1989).
Após alguns papéis em óperas portuguesas, parte para Milão em 1953, como bolseiro do Instituto de Alta Cultura, onde estudou canto e representação. Daí segue para os Estados Unidos, onde uma brilhante carreira o esperaria, se o famigerado “fado” da saudade do português o não tivesse obrigado a regressar a Portugal, onde é de imediato contratado pelo S.Carlos. Estreou-se com a “Cavalleria Rusticana” ao lado de Giulietta Simionato.
E não mais parou.
Indispensável nas várias produções de ópera, maioritariamente com cantores portugueses, que o Trindade mas também o S.Carlos levavam à cena, Casaes deslocava-se frequentemente a Itália, “mercado” que o conhecia e apreciava.
A célebre e saudosa crítica musical Maria Helena de Freitas, escrevia a propósito do seu “Conde” das “Bodas de Fígaro”, ser “uma criação ao nível internacional”.
Com o fim da Companhia Portuguesa de Ópera, em 1975, a carreira de Casaes, como a de muitos outros cantores portugueses, sofreu um duro golpe.
Alguns recitais espaçados, intervenções aqui e ali, mas longe do apogeu dos anos 50 e 60.
Um grande barítono português.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Elizette Bayan

“Uma das mais espontâneas, irreprimíveis, prolongadas e vibrantes ovações que alguma vez se ouviram no Coliseu, num espectáculo de ópera, premiou, na terça-feira, uma cantora portuguesa: Elizette Bayan. Tudo quanto pode alcançar-se de superlativo na “cena da loucura”, em agilidade vocal e representação, foi conseguido por Elizette Bayan duma maneira espantosa. O público que enchia o Coliseu, maravilhado e surpreso, reteve dificilmente o seu entusiasmo e explodiu numa ovação colossal. As palmas e os bravos demoraram longos minutos e acenderam-se as luzes de honra da sala, onde têm actuado tantas das maiores figuras da ópera.
Nada de mais justo! Cantar e representar assim só está ao alcance duma grande cantora – e grande cantora está Elizette Bayan. Esta “Lucia” constitui um marco importante e talvez decisivo na sua carreira. Já não estamos perante uma promessa, a “Lucia” do Trindade, centro de artistas – cantores que um crime de lesa cultura riscou do espaço operático português, mas sim diante do que é uma certeza absoluta: Elizette Bayan pode pedir meças a qualquer “Lucia” actual e figurar sem desdouro nos elencos dos grandes teatros de ópera. As palmas de Alfredo Kraus não as entendemos apenas como um gesto de camaradagem e simpatia, mas principalmente como o reconhecimento de quem está habilitado como poucos a apreciar e a distinguir. “Um caso notável” disse o famoso tenor espanhol! É o melhor e mais autorizado cumprimento que Elizette Bayan podia receber.”*

Estas palavras foram escritas por Fernando Pires, no “Diário de Notícias” de 20 de Maio de 1977, relativamente a uma “Lucia de Lammermoor” apresentada no Coliseu.
E depois delas, penso não ter nada mais a acrescentar sobre Elizette Bayan, uma grande cantora portuguesa, hoje praticamente esquecida, como é uso e mau costume entre nós.

(* Fonte do texto e fotografia: Mário Moreau: “Cantores de Ópera Portugueses”, Terceiro Volume, pag.873)

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Álvaro Malta


Posso estar enganado, mas penso que durante muitos anos, se pedissem numa qualquer rua portuguesa, a um qualquer cidadão, para referir um nome de um cantor lírico português, a resposta seria claramente Álvaro Malta.
Não porque o tivessem ouvido no Trindade, no São Carlos ou no Coliseu, mas porque era algumas vezes convidado pela RTP para comentar este ou aquele esporádico assunto relacionado com Ópera. E é verdade que muito poucos cantores portugueses actuaram tantas vezes em São Carlos.
Ainda hoje muitos se recordam de Álvaro Malta (nasceu em 1931), que aos 18 anos já fazia parte do Coro do nosso Teatro lírico.
A sua primeira apresentação em público data de 1951, cantando o “Requiem” de Mozart. E ao longo da sua brilhante carreira, cantou ao lado das grandes figuras, como Corelli, Gobbi, Christoff, Gedda, Crespin, Gorr e Di Stefano.
Este baixo português, para além da voz magnífica, era um excelente actor, o que nem sempre acontece, como já vimos, mesmo em cantores de nomeada internacional.
Fez o “Barão Douphol” na célebre “La Traviata” com Maria Callas em Lisboa, em Março de 1958.
A última vez que Malta cantou em público foi em 1989, uma “Serva Padrona” com Elsa Saque e Vasco Gil.
Quase 40 anos de Ópera.
Julgo que o lugar, ou vazio, que deixou, nunca foi preenchido.

sábado, 15 de setembro de 2007

Zuleica Saque


Zuleica Elbling. Zuleica Saque.
O nome verdadeiro e o artístico, de uma grande cantora portuguesa.
Com apenas 18 anos ingressa no Coro do Teatro S.Carlos, mas só quatro anos depois é contratada para dois pequenos papéis em “Arabela” e “As Bodas de Fígaro”.
No ano seguinte, ainda em pequenas participações, canta ao lado de figuras como Régine Crespin e Renata Scotto.
É então convidada para fazer uma audição no Teatro da Trindade, onde Tomás Alcaide a contratou de imediato.
E assim começa uma carreira brilhante, que em Portugal é dividida entre os dois teatros.
Bolseira do então “Instituto de Alta Cultura”, e proposta por Gino Bechi, o soprano vai para Itália aperfeiçoar ainda mais a sua voz. Primeiro passo para a sua constante presença nos palcos internacionais, com Piero Cappuccilli, Alfredo Kraus, Sesto Bruscantini, Giuseppe Taddei e Franco Corelli, entre muitos outros.
Em 1971 substitui Mirella Freni no Gran Teatro del Liceo, em Barcelona, cantando a Margarida, do “Fausto”. Leram bem…cantou no lugar da “diva”, e bem.
Já nessa altura era uma cantora respeitada nos grandes palcos da Ópera, mas nem assim deixava de vir cantar ao seu país.
Zuleica Saque (nasceu em Lisboa, em 1941) vive actualmente em Itália.

Completamente esquecida em Portugal. Para não variar.
Tão esquecida…que nem uma fotografia decente consegui arranjar.
Peço desculpa pela qualidade desta, mas foi a possível numa velha revista.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

José Fardilha


Pouco de fala dele em Portugal, mesmo no mundo da lírica. Como se fosse um caso banal, ou com pouca importância.
José Fardilha, que nasceu em Lisboa em 1956, é indiscutivelmente o único barítono português com alguma projecção no exterior.
Só em 2007, Fardilha cantou o Leporello do “Don Giovanni” em Amesterdão e Trieste, e o Malatesta do “Don Pasquale” também em Trieste.
Alguém soube, ou falou disso, no nosso país?
Estudou com Cristina de Castro, tendo ingressado posteriormente no coro do Teatro de S.Carlos. Nos primeiros anos da década de 80 assumiu pequenos papéis, que lhe foram granjeando admiração pela sua bela voz. A tal ponto, que é convidado para cantar em diversas companhias italianas e alemãs. E por lá ficou, sendo presença constante no La Scala.
Juntamente com o soprano Elisabete Matos, forma a dupla mais consagrada, diria a única, de cantores portugueses no estrangeiro.
Fardilha tem cantado sob a direcção dos maiores maestros, como Abbado, apenas como exemplo.
Para um cantor português, seria caso para uma bem maior divulgação.
Mas nasceu neste país…

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Ana Ferraz


Há poucos anos vi-a no “Elixir de Amor”. Uma bela voz, excelente presença em palco.
O soprano Ana Ferraz, que eu conhecia da Ópera de Câmara do Real Teatro de Queluz, (com Carlos Guilherme, Wagner Diniz e Elsa Saque), foi discípula de grandes Professores, bastando citar Hugo Casaes, Elsa Saque e Helena Pina Manique, a nível nacional, e fez cursos em Itália com Gino Bechi e Magda Olivero, por exemplo.
Estreou-se em São Carlos em 1991, numa ópera portuguesa quase desconhecida, “Amor de Perdição” de António Emiliano. Mas ali cantou diversas óperas, entre as quais “Gianni Schicchi”, “Don Giovanni” e “La Spinalba”.
Tem vários cd editados, mas é preciso procurar bem nas discotecas, porque neste País estes valores líricos estão praticamente votados ao ostracismo pelos pontos de venda. Mas se perguntarem, talvez tenham sorte…

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Elisabete Matos


A Ópera, em Portugal, é parente pobre em pobre divulgação Cultural.
E não basta justificar a situação com o facto de sermos um país pequeno. Há quem seja do mesmo tamanho e até menor, e tenha uma actividade lírica a anos-luz da nossa.
Elisabete Matos é a cantora portuguesa de maior destaque desde há anos. Placido Domingo “descobriu-a”, lançou-a, e Espanha soube aproveitá-la. A Europa conhece-a.
Não é uma primeira figura, ou uma “diva”, mas é uma excelente cantora, e anda há dez anos a mostrar o seu talento pelos palcos mais importantes da lírica.
E em Portugal? Se perguntarem, por amostragem, a cem portugueses, quem é Elisabete Matos, quantos a conhecerão? Quem terá uma das suas gravações em cd ou dvd? Quem a viu em algum programa de televisão? Quantas vezes cantou em S.Carlos ou em outro qualquer palco luso?
A condecoração de Oficial da Ordem do Infante Dom Henrique, é importante, mas em nada contribuiu para a divulgação, entre nós, desta cantora portuguesa, que “nuestros hermanos” tão bem conhecem, tendo sido “capa” da última “Opera Actual”.
Que “vil tristeza”….
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