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sábado, 20 de setembro de 2008

Grandes duelos (2)



Uma vez mais, duelos entre cantores.
Já aqui falámos da rivalidade entre Callas e Tebaldi, e dos tenores que normalmente as acompanhavam.
Agora a história repete-se.
Gheorghiu / Alagna e Netrebko / Villazon.
São os pares que estão na ordem do dia.
Conheço fanáticos de ambos os sopranos, que pouco ligam aos tenores.
Angela Gheorghiu e Anna Netrebko são, de facto, espantosas. Villazon será (ainda não é, na minha opinião) um óptimo tenor, e Alagna será, acima de tudo e talvez com alguma injustiça, reconhecido como o marido...
A promoção destes artistas é brutal, os espectáculos sucedem-se, alguns excessos de vedetismo surgem, a vida privada devassada como se de estrelas de Hollywood se tratasse.
Qualquer que seja o gosto pessoal de cada um, estas são, indiscutivelmente, as grandes figuras da Ópera do princípio do século XXI.

Ou pelo menos aquelas que as editoras mais promoveram...



quinta-feira, 3 de abril de 2008

Grandes "duelos"

Há cinco décadas, os melómanos apaixonados pela Ópera, guardavam de forma preciosa as gravações áudio que existiam e iam sendo editadas, com cantores e maestros de excepção.
Televisão era novidade, não havia vídeo e muito menos dvd, cd era palavra desconhecida, e portanto os velhinhos LP faziam as delícias possíveis.
Travou-se nessa época um “duelo” fantástico entre duas casas editoras, que mais não foi que o reflexo, na indústria, da rivalidade existente entre dois dos maiores sopranos que a Ópera alguma vez conheceu. Refiro-me, obviamente, a Maria Callas e Renata Tebaldi.









Os “Callistas” e os “Tebaldistas” fanáticos, chegavam a assistir às representações das “inimigas” apenas para vaiar, numa obsessão hoje reconhecida como perfeitamente idiota, dada a qualidade de ambas. Mas eram outros tempos…

A Decca editava a dupla Tebaldi / Mario del Monaco, a EMI Maria Callas / Giuseppe di Stefano. Estes dois pares encimaram, durante muito tempo, as discussões acaloradas entre os adeptos de uns e de outros. E algumas dessas gravações ficaram para a posteridade como imbatíveis.
Não vou dizer qual era melhor, por achar impossível. Mas relembrarei os argumentos de um lado e de outro.



Diziam os apaixonados por Callas, que di Stefano era o melhor tenor que a Diva podia ter encontrado, e que esta era perfeitamente indiscutível como a melhor de sempre.
Opinião refutada pelos “tebaldistas”, que para além de entenderem que Callas era uma cantora pouco constante, isto é, com “altos e baixos”, e “baixos” horríveis, acrescentavam que di Stefano era um tenor mais que vulgar, que apenas fizera carreira por cantar ao lado de Maria. Para eles, nada se igualava ao timbre de Tebaldi, e Mario del Monaco era, a anos-luz, superior a di Stefano.
Que época deslumbrante, que permitia discussões deste tipo, entre tantos intérpretes de categoria!
E ainda havia Corelli, Bergonzi, Gobbi, Bechi, Bastianini, Stella, Cerquetti, Simionato, Barbieri…para ficar só em Itália…
Quem nos dera ter, nos nossos dias, tantos e tão bons….

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