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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Fujam!

Acabei de ver, em Blu-ray, a "Semiramide" de Myrto Papatanasiu.
Fujam!
Coitado do Rossini!
Tão maltratado!
E a protagonista é a única que se salva.
Fujam mesmo!

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Ontem ouvi (14)


Por vezes compramos “gravações ao vivo”, pelos elencos, e depois sofremos decepções terríveis, pela deficiente qualidade do som. Corremos o risco, porque consideramos que aquele conjunto de cantores, naquela ópera, é “histórico”.
Já me aconteceu, e certamente a todos nós.
Mas quando colocamos o cd no leitor, e ouvimos uma gravação boa, a sensação é de duplo júbilo. Comprámos bem…e normalmente barato.
Este “Mefistofele” que ontem ouvi mais uma vez, foi um caso desses. Descobri-o num belo passeio pelas ruas de Toronto, há alguns anos.
Ghiaurov, Alfredo Kraus, Tebaldi e Souliotis, em 1965, na Ópera de San Francisco.
É excelente. Diria até, empolgante.
Única ópera de Boito que ainda hoje é representada (“Nerone” caiu no esquecimento), não tem no mercado muitas gravações disponíveis.
Samuel Ramey, Cesare Siepi e Ghiaurov, são os “Mefistofele” que conheço.
E Ghiaurov é o meu eleito.



quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Ontem ouvi (13)


Há muito que não ouvia esta ópera de Gounod.
Escolhi esta versão, com Corelli, Sutherland e Ghiaurov, que me parece a mais equilibrada. Há outras. Relembro Gedda e De Stefano no papel principal, Victoria De Los Angeles e Caballé em excelentes “Margaridas” e Boris Christoff ou Tajo no “Mefistófeles”. Todos memoráveis.
Mas esta gravação de 1966…é impecável.
Como quase sempre aconteceu com Joan Sutherland, é Richard Bonynge quem rege a Sinfónica de Londres, e bem.
Gostaria de destacar Nicolai Ghiaurov. Simplesmente brilhante, seguro, no apogeu das potencialidades da sua bela voz. A propósito disso, há pouco tempo perguntaram a Sutherland qual a voz que mais admirara ao longo da sua carreira, e a resposta foi clara: “Ghiaurov nos seus melhores tempos”.
Ouçam este “Fausto”.
Vale a pena.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Ontem ouvi (12)

Estreada em Weimar em 1850.
Pode não ser a melhor gravação que existe (há quem considere uma de 1964 com Elisabeth Grummer, Christa Ludwig e Jess Thomas), mas é excepcional.
Gundula Janowitz é uma “Elsa” fabulosa, Gwyneth Jones uma “Ortrud” fantástica, e claro, James King no “Lohengrin”, está ao nível das suas acompanhantes.
Note-se que a gravação é de 1971, isto é, todos estes cantores estavam plenos de força e no apogeu das suas carreiras.
Kubelik dirige como poucos, perfeitamente à vontade numa ópera que conhecia em profundidade, e que, como sabemos, é difícil de reger, dado que a sua estrutura é algo difusa.
Recomendo.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

"Norma"


Há muitas “Norma”.
Algumas inolvidáveis, outras mais “infelizes”, como uma recente gravação com uma Edita Gruberova já longe do seu esplendor, a “arrastar-se” no palco como alguns jogadores de futebol que não querem aceitar que a idade não perdoa.
Mas das excelentes, recordo Callas, Sutherland, Caballé.
E acrescento Suliotis.
Tenho uma gravação rara, de 1968, que deslumbra.
Elena Suliotis é uma “Norma” completa, Fiorenza Cossotto uma “Adalgisa” fenomenal, Mario Del Monaco um “Pollione” como poucos. Silvio Varviso dirige a Orquestra.
Puro deleite.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Ontem ouvi (11)


Sublime.
Schwarzkopf (“Fiordiligi”), Ludwig (“Dorabella”), Prey (“Guglielmo”), Kmentt (“Ferrando”) e Sciutti (“Despina”), tornam este “Così Fan Tutte” difícil de bater por qualquer gravação das existentes e muitas são. Algumas muito boas.
Em 1962, estes grandes cantores estavam na plena posse das suas capacidades, que eram imensas, como sabemos.
E a mestria de Karl Bohm, à frente da Filarmónica de Viena, é bem posta em evidência.
Quando acaba, apetece colocar novamente o cd no início.
Espantoso.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Ontem ouvi (10)


Ramon Vinay é considerado, por muitos, o melhor “Otello”.
E ainda que estas classificações dependam sempre do gosto pessoal, é indiscutível que, se não é o melhor, está entre os melhores.
E quando Vinay interpreta o papel acompanhado por Tebaldi e Gino Bechi, em 1952, numa célebre récita em Nápoles, o resultado só podia ser memorável.
É uma gravação ao vivo, com as naturais e habituais deficiências, mas quase nos esquecemos delas, perante a qualidade das vozes, o cunho interpretativo, o simbolismo histórico, a possibilidade de, 57 anos volvidos, ter oportunidade de ouvir estes cantores de excepção.
Gabriele Santini dirige a Orquestra e Coro do “S.Carlo” de Nápoles.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Ópera Portuguesa


É raro.
Uma gravação de uma ópera portuguesa, com cantores portugueses.
Porque é raro, saúda-se.
“Le Donne Cambiate” é uma excelente oportunidade para ouvir Ana Paula Russo, Ana Ferraz, Jorge Vaz de Carvalho, Luís Rodrigues, Alberto Lobo da Silva e Nuno de Villalonga, em interpretações de excelente nível, regidos pelo Maestro Álvaro Cassuto à frente da “City of London Sinfonia”.
A ópera é de Marcos Portugal (1762-1830), e a gravação é de 2000.
Curiosamente, comprei-a há anos em Londres, e não sei se estará disponível em Portugal…triste ironia.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Ontem ouvi (9)





Elena Souliotis (1943-2004) surge, no princípio da sua carreira, como uma nova Callas, o que seria absolutamente decisivo para a sua curta carreira. Dotada de um instrumento vocal fantástico, não o soube aproveitar. Exagerou e ficou sem ele, bem cedo.
Mas gravou esta “Abigaille” em 1965.
Seria o seu papel favorito, e aquele que lhe arruinaria a voz, pois exige muito de quem o interpreta, e Souliotis fê-lo demasiadas vezes.
Só que este “Nabucco”, com Tito Gobbi (1913-1984) no protagonista, ficou para a história da Ópera como a gravação de referência. A acompanhar Souliotis e Gobbi, Bruno Prevedi (1928-1988) no “Ismaele”, Carlo Cava (nasceu em 1928) no “Zaccaria”, Dora Carral (soprano cubano que fez a sua carreira em Itália) em “Fenena”, Giovanni Foiani (excelente baixo) em “Il Grande Sacerdote”.
Lamberto Gardelli (1915-1998) dirige a Orquestra de Ópera de Viena.
Não sei quem apreciar mais nesta gravação, se o soprano ou o barítono. O melhor é mesmo saborear ambos, muitas vezes. Nunca cansa.



quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Ontem ouvi (8)



Ouve-se.
Admira-se.
Vezes sem conta.
“O Cavaleiro da Rosa” ao seu melhor nível.
Christa Ludwig (n.1928), Gwyneth Jones (n.1936), Walter Berry (1929-2000), Lucia Popp (1939-1993) e Placido Domingo (n.1941).
A “Marschallin”, “Octavian”, “Baron”, “Sophie” e o “Tenor” cantados magistralmente em 1971, acompanhados bem à altura pela Filarmónica de Viena, à frente da qual encontramos Bernstein (1918-1990).
E se alguns críticos sempre disseram que o genial maestro não conseguia “retirar” o autêntico Richard Strauss das orquestras que dirigia, penso que nesta gravação Bernstein desmente-os categoricamente, com uma empolgante regência.
Aconselho vivamente.



sábado, 24 de janeiro de 2009

Ontem ouvi (7)


Há muitas gravações de “I Puritani”, mas esta é a minha preferida.
Gravada em 1953, junta os cantores no seu apogeu, acompanhados da Orquestra do La Scala regida por um Mestre, Tullio Serafin (1878-1968).
A “Elvira” é, claro, Maria Callas (1923-1977), e a prestação nesta ópera é ímpar, não bastando os adjectivos para a classificar. Simplesmente divinal.
O próprio Giuseppe di Stefano (1921-2008) (“Arturo”), que está longe de ser um dos meus tenores de eleição, está muito bem neste papel. Rolando Panerai (nasceu em 1924) é um “Riccardo” seguro e convicto, e um agora muito esquecido Nicola Rossi-Lemeni (1920-1991) dá a “Giorgio” tudo o que o personagem exige.
Temos ainda Ângelo Mercuriali no “Bruno”, Carlo Forti no “Gualtiero Valton” e Aurora Cattelani na “Enrichetta”.
“I Puritani” ao seu melhor nível.


segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Ontem ouvi (6)


Gravada em 1988, esta “Madama Butterfly”, com um elenco bastante semelhante à histórica gravação de Karajan, é, a todos os títulos, memorável.
O saudoso Giuseppe Sinopoli (1946 – 2001), verdadeiramente notável regendo Puccini, e que já havia deslumbrado na sua “Manon Lescaut”, surge aqui ao seu melhor nível, conduzindo a “Philharmonia Orchestra” de uma forma brilhante.
Mirella Freni, que já ultrapassara os 50 anos, canta com o magnetismo de sempre, aliado à maturidade própria de uma enorme experiência e um profundo conhecimento da obra e do compositor. Não será por acaso que é considerada a melhor “Mimi” da sua geração e uma das melhores de sempre.
A Freni junta-se uma “legião” espanhola, a começar num Carreras em grande forma num excepcional “Pinkerton”, a grande Berganza numa “Suzuki” soberba e Juan Pons, seguro como sempre.
“Madama Butterfly” como raramente se gravou.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Ontem ouvi (5)


Em 1968, Pavarotti e Freni, o duo de Modena.
Este “L’Amico Fritz”, de Mascagni, é extraordinário.
Gavazzeni conduz a Orquestra da Royal Opera House, e para além da famosa dupla, nos papéis de "Fritz Kobus" e de "Suzel", temos Laura Gambardella na “Beppe”, Vincenzo Sardinero no “David”, Benito Di Bella no “Hanezò”, Luigi Pontiggia no “Federico” e Malvina Major na “Caterina”. O Coro é igualmente o da ROH, e a gravação foi feita nos célebres estúdios de Abbey Road, em Londres.
Para além da “Cavalleria Rusticana”, é a ópera mais cantada do compositor, e confesso desconhecer outra gravação que possa suplantar esta.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

"Souvenirs"



Aconselho vivamente.
Anna Netrebko surge simplesmente fantástica neste seu último trabalho.
Uma voz prodigiosa, um “sentimento” interpretativo magnífico, um verdadeiro cd de “diva”.
Netrebko interpreta Dvorak, Offenbach, Richard Strauss, mas também Gustavino e Hahn, numa série de melodias que todos conhecem.
De salientar igualmente a participação do “mezzo” Elina Garanca, em algumas faixas, outra certeza do meio lírico.
Ouve-se e quer-se mais.
A Netrebko “pós-parto” está soberba.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Ontem ouvi (4)





Há muitas gravações de “Tristão e Isolda”. E excelentes.
A que mais ouço é esta.
Waltraud Meier (nasceu em 1956) e Siegfried Jerusalém (nasceu em 1940) formam, na minha opinião, o melhor par da sua geração, nesta ópera.
Gravação feita em 1995, nela participam ainda Matti Salminen (Rei Marke), Falk Struckmann (Kurwenal), Johan Botha (Melot) e Marjana Lipovsek (Brangane).
A Orquestra Filarmónica de Berlim é dirigida por Daniel Barenboim.
O Coro é o da Ópera de Berlim.


sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Ontem ouvi (3)


Já vi e ouvi muitas versões desta ópera de Mascagni, mas considero esta a melhor.
Gravada em 1966, dirigida por Herbert Von Karajan à frente do Coro e Orquestra do Scala de Milão, oferece-nos uma portentosa Fiorenza Cossotto (nasceu em 1935) na melhor “Santuzza” que conheço. O “Turiddu” é de Carlo Bergonzi (nasceu em 1924), igualmente ao seu nível, e os outros papéis foram entregues a MariaGrazia Allegri (“Lucia”), Giangiacomo Guelfi (“Alfio”) e Adriane Martino (”Lola”).
É curioso que, mesmo tendo a gravação vídeo, prefiro o cd.
Ouvir apenas. Sem distracções, podemos apreciar ao limite a arte de Cossotto, o dramatismo que empresta ao papel, a sua qualidade.
Brilhante.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Ontem ouvi (2)

Esta “Lucia di Lammermoor” é simplesmente fantástica.
Gravada em 1983, consegue ainda “apanhar” os intérpretes em grande forma, caso de Edita Gruberova (nasceu em 1946), um dos grandes sopranos “coloratura” das últimas décadas, e que tem, neste papel, um dos seus enormes êxitos.
Alfredo Kraus (1927-1999), portanto com 56 anos na gravação, surge igual a si próprio, isto é, excelente, com o timbre que o celebrizou, e uma entrega dramática difícil de igualar no”Edgardo”.
O “Enrico” foi entregue a Renato Bruson (nasceu em 1936), barítono que se celebrizou principalmente com o “Macbeth” e o “Nabucco”, e que aqui surge como um dos verdadeiros sucessores da “geração de ouro” de que já aqui falei (Gobbi e seus pares).
O “Raimondo” de Robert Lloyd (nasceu em 1940) é extraordinário, demonstrando à saciedade porque foi considerado um dos maiores baixos da sua época.
A “Alisa” é Kathleen Kuhlmann, o “Normanno” Bruno Lazzaretti e o “Arturo” foi cantado por Bonaventura Bottone.
O maestro Nicola Rescigno, recentemente falecido, dirigiu a Royal Philharmonic Orchestra.
Se querem ouvir uma excelente “Lucia”, não hesitem.


terça-feira, 14 de outubro de 2008

Ontem ouvi (1)



Que elenco!
Mario del Monaco (1915-1982) no protagonista, Anita Cerquetti (nasceu em 1931) como “Elvira”, Ettore Bastianini (1922-1967) como “Don Carlo” e Boris Christoff (1914-1993) no “Silva”.
O maestro foi Dimitri Mitropoulos (1896-1960), e a Orquestra e Coro do Maggio Musicale Fiorentino. Exactamente em Florença, 1957.
Completaram o elenco, Luciana Boni (“Giovanna”), Athos Cesarini (“Don Riccardo”) e Aurelian Neagu (“Jago”).
É absolutamente espantosa esta gravação.
Não duvido que outras gravações possam igualmente apresentar um naipe de cantores como esta, mas não é fácil. Também gosto muito do “Ernani” de Plácido Domingo, Freni, Bruson e Ghiaurov.
Mas…este é soberbo!


quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

"La Bohème"


Muitos pares de soprano e tenor cantaram “La Bohème” de Puccini.
Muitos interpretaram esses papéis de forma exemplar, atingindo patamares de excelência.
A lista seria fastidiosa por tão extensa.
Mas, de entre todas, e já ouvi muitas, há uma gravação que suplanta, de longe, qualquer outra.
Refiro-me a Mirella Freni e Luciano Pavarotti, com a Filarmónica de Berlim sob a regência de Karajan.
Para mim, essa é “a” Bohème.
Com eles, há uma segunda versão gravada já nos anos oitenta, mas a primeira é bem superior, dado que estavam no apogeu das suas capacidades vocais.
Parece que ambos os cantores “nasceram” para Puccini, ainda que tenham cantado com estrondoso êxito muitos outros compositores. Mas se repararem bem, os maiores sucessos de Freni e de Pavarotti aconteceram em óperas de Giacomo Puccini.
Algo mais os une . São ambos italianos, nasceram no mesmo ano (1935) e na mesma cidade (Modena). Sabiam?
Sobre cada um deles farei um post.
A “Mimi” e o “Rodolfo” são interpretações magistrais, que merecem, por si só, um lugar de grande destaque.
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