
"Os Palhaços", em 1892.
É obra!
Perguntaram a Maria Callas o que era a Ópera. A resposta foi rápida e curta : "Verdi".

O “Don Carlo” é uma ópera exigente.
Não só por ser a mais extensa de Verdi, mas também por necessitar de grande quantidade de bons cantores para os principais papéis.
Ontem, na Gulbenkian, em transmissão directa da MET, uma boa récita.
Baixos muito bons. Quer Furlanetto (Filipe II) quer Eric Halfvarson (Grande Inquisidor) estiveram a grande altura. Um mezzo de excepcional qualidade, Anna Smirnova, numa “Eboli” que arrebatou a assistência. E um “Rodrigo” cantado por Simon Keenlyside que “encheu” o écran.
Para mim, ele foi a “estrela” da noite. Voz poderosa aliada a uma extraordinária representação cénica.
E perguntarão: então e o “Don Carlo” e a “Elisabeth”?
Pois…
Roberto Alagna é um bom tenor. Ninguém duvida. Mas os seus dotes de actor deixam muito a desejar…Sendo mais concreto: é um “canastrão”. E bem o demonstrou neste papel. Gestos demasiado encenados, pouco ou nada naturais.
Marina Poplavskaya será, um dia, uma grande “Elisabeth”. Por agora, falta-lhe a maturidade que gosto de sentir , e que ela não pode, de modo algum, emprestar ao papel. Canta bem…tem boa presença….mas falta ali qualquer coisa que só o tempo poderá trazer.
Muito bem Yannick Nézet-Séguin à frente da Orquestra do MET.
Uma encenação eficaz de Nicholas Hytner.

Licenciada em Economia, tinha o curso Superior de Bibliotecária-Arquivista da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Foi Directora dos Serviços de Documentação da Universidade Técnica de Lisboa.
Estreou-se em “Porgy and Bess” (“Annie”) em 1973 no S.Carlos.
Intérprete de excepção de Lopes Graça, deu numerosos concertos nos anos 60 e 70.
Foi companheira do escritor Diniz Machado.
Nasceu e morreu no Barreiro.
No esquecimento generalizado que sempre tem coberto os cantores portugueses. No anonimato. Triste e injusto.
Dulce Cabrita (1928-2010).
(Fonte: “Cantores de Ópera Portugueses”, de Mário Moreau, Terceiro Volume).