segunda-feira, 14 de julho de 2008

Óperas pouco ouvidas (2)

Estreada em Paris em 1900, “Louise” é talvez a única ópera que o seu compositor, Gustave Charpentier (1860-1956), conseguiu passar à posteridade.
E se muitos consideram que a verdadeira heroína desta ópera é a cidade de Paris e não propriamente Louise, a verdade é que todos conhecem a célebre ária “Depuis le jour” cantada pela personagem principal.
O enredo, simples, trata de uma história de amor entre Louise e Julien, contrariado pela mãe de Louise, que não quer que a filha case com um artista.
Há duas gravações de referência, uma com Ileana Cotrubas, Placido Domingo, Jane Berbié e Gabriel Bacquier, e outra com Beverly Sills, Nicolai Gedda, Mignon Dunn e Jose Van Dam.
Prefiro a primeira.
Vamos ver e ouvir Renée Fleming exactamente em “Depuis le jour”. Excelente.


terça-feira, 8 de julho de 2008

Óperas pouco ouvidas (1)


Muitos classificam-na como a ópera húngara mais importante do século XX.
“O Castelo do Barba-Azul”, de Bartok.
Ópera em 1 acto, estreou-se em Budapeste em 1918, e só muitos anos depois em Berlim (1929), Nova York (1952) e Londres (1954).
Notam-se influências claras de “Lohengrin”, no carácter reservado do protagonista, escondendo a sua vida privada, não querendo mostrá-la. Também Bartok protegia a sua intimidade, e consta que se terá inspirado num amor não correspondido para compor esta Ópera.
Um soprano e um baixo apenas, numa ópera em que o som tradicional húngaro aparece quase espontaneamente.
Há três gravações de referência : Christa Ludwig com Walter Berry, Troyanos com Siegmund Nimsgern e Eva Marton com Samuel Ramey.
Pessoalmente, entendo que nenhuma iguala a primeira, mas no mercado só se encontra a última, com facilidade.
Recomendo.
Neste clip vamos ter Sylvia Sass e Kováts, dirigidos por Solti.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Carla Basto

Há casos assim, mas no meio lírico português, onde os verdadeiros talentos não abundam, causa estranheza e mesmo perplexidade não se saber, com exactidão, o que aconteceu a uma das melhoras cantoras.
Refiro-me a Carla Basto, soprano.
Nascida em 1955, recebe de Gino Bechi as primeiras lições, estreando-se em 1972 na “Papagena” da “A Flauta Mágica”, no saudoso palco do Trindade.
No ano seguinte canta a “Sophie” do “Werther”, e marcaria presença em muitas óperas nas temporadas seguintes.
Quando a Companhia Portuguesa de Ópera se extingue, Carla Basto parte para Milão, onde se inscreve no Conservatório de Vercelli. A sua estreia em palcos italianos acontece em 1977, na “Musetta” de “La Bohème”.
Um espectáculo na RAI abriu-lhe então outras “portas”, e em 1979 a cantora portuguesa actua na Colômbia, e depois em São Paulo, Barcelona, Klagenfurt, Rio de Janeiro e França. Em 1981 está em Dublin, como protagonista da “Lucia”, e no fim desse ano no Peru, com Luigi Alva no “Barbeiro de Sevilha”. E daí parte para as Canárias, onde canta, com Alfredo Kraus, “Os Contos de Hoffmann”.
Só volta a Portugal em 1986, onde cantou, em S.Carlos, “O Rapto do Serralho”.
Depois…desapareceu….
Quantas cantoras portuguesas têm uma carreira com esta qualidade?
No entanto, ninguém sabe quem é Carla Basto, onde está, se ainda canta….
Só em países com grande riqueza de talentos é possível um caso destes….
Sabemos da existência de uma gravação da “Missa” de Catalani, feita em 1985, e nada mais.


Fonte: Cantores de Ópera Portugueses”, de Mário Moreau, Vol. III

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Encenações

A questão das encenações “novas” de óperas clássicas está na ordem do dia.
Os mais conservadores e tradicionalistas quase desmaiam de susto nas cadeiras, enquanto uma vanguarda aberta à novidade aplaude, exuberante.



Eu sei que tudo evolui. Que os adereços têm custos exorbitantes.
E que a ópera, como outros espectáculos, precisa de atrair novos públicos, de gerações recentes, pois sem público não há receitas e sem estas não há encenações, novas ou velhas.
O festival de Salzburgo, um marco na história lírica, abriu decididamente as portas a estas encenações a partir de 2006, merecendo críticas acérrimas por parte de muitos colunistas que escrevem nas revistas da especialidade.
Bayreuth parece bem mais reservado a esse tipo de experiências, embora se aguardem novidades para breve…



E se os palcos italianos não aderiram à “moda”, salvo raríssimas excepções, o mesmo não se poderá dizer de Zurique, Amesterdão, Paris e mesmo Covent Garden. E Nos Estados Unidos há exemplos para ambos os lados.

Comparem estas duas fotografias com versões “antiga” e “moderna” da “Manon Lescaut”. Bem elucidativas.

Creio que, feliz ou infelizmente, a tendência é para a generalização do “moderno”.

Feliz ou infelizmente?

sábado, 21 de junho de 2008

Sena Jurinac

Sena Jurinac nasceu em 1921, na Bósnia.
Um dos grandes sopranos do pós-Guerra, estreou-se em 1942, em Zagreb, com a “Mimi” de “La Bohème”. Em 1944 é contratada pela Ópera de Viena, mas devido ao conflito mundial só dois anos depois ali faz o “Cherubino”.
Essa ligação à ópera da capital austríaca durou perto de quatro décadas, e nela Jurinac fez parte de uma plêiade de cantores excepcionais, bastando nomear Irmgard Seefried, Elisabeth Schwarkopf, Christa Ludwig, Lisa della Casa e Anton Dermota, entre outros. Uma geração de ouro.
Estreia-se em Salzburgo em 1947, e canta em todos os grandes palcos europeus nos anos 50, sendo presença assídua em Covent Garden, até 1963.
Mas é na “sua” Ópera de Viena que se despede dos palcos e do público em 1983, no papel de “Marschallin”.
Mozart e Richard Strauss ocupam grande parte da sua discografia, onde Verdi surge apenas uma vez (Don Carlo) tal como Wagner (Anel).
Um grande soprano, muitas vezes esquecido.
Injustamente.
Vamos vê-la e ouvi-la na célebre ária da “Carta” de “Eugene Onegin”, de Tchaikovsky.


quarta-feira, 18 de junho de 2008

Leyla Gencer

Se Callas é “La Divina”e Sutherland “La Stupenda”, Leyla Gencer é “La Regina”.
Não tendo a projecção das duas “deusas”, este soprano turco, que construiu a sua carreira em Itália, principalmente nas décadas de 50 e 60, bem merece o epíteto, pois a sua belíssima voz notabilizou-se, principalmente em óperas de Donizetti.
Estreou-se em 1950 na “Santuzza” da “Cavalleria” em Ankara, e também em Itália, onde cantou o mesmo papel em 1953, no San Carlo de Nápoles. Mas é no La Scala que fará grande parte do seu trabalho, pois lá cantou desde 1957 até 1983. Mais de vinte e cinco anos no primeiro plano lírico. Espantoso.
Pensa-se em Gencer e de imediato associamos Donizetti: Anna Bolena, Lucrezia Borgia, Belisario, Poliuto.
Quando deixou de cantar, tornou-se Directora artística da escola de Canto do La Scala, onde fez um trabalho magnífico.
O que se estranha é que tenha poucas gravações. Na verdade, para além das óperas de Donizetti, fundamentais, apenas podemos encontrar a sua voz em óperas de Bellini e Verdi. Tudo o resto são gravações episódicas.

Leyla Gencer (1928-2008).

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Que saudades....




Há pouco mais de 20 anos....

S.Carlos era, ainda, um excelente palco de ópera, integrando nomes sonantes nos seus elencos, e não caindo na tentação de gastar milhares com óperas como as de Emanuel Nunes...cujo resultado foi catastrófico.



Como podem verificar, a par de estrelas internacionais, como Mara Zampieri, Fedora Barbieri, ou Ileana Cotrubas, todos os melhores cantores portugueses estavam contratados, como seria natural, lógico e coerente...

E só passaram 20 anos...

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