quinta-feira, 12 de julho de 2007

Giulio Neri


A sua vida foi muito curta (1909-1958), e a sua carreira artística durou pouco mais de vinte anos.
Mas foi seguramente um dos baixos mais importantes da sua geração, e as suas raras gravações ainda hoje são ouvidas com especial interesse.
Giulio Neri era um baixo “profondo”, daqueles que eu gosto de ouvir, no seguimento de Tancredi Pasero, e anterior à escola de Leste, nomeadamente a búlgara e a russa.
O grande barítono Tito Gobbi chegou a afirmar que o Grande Inquisidor de Neri no “Don Carlo” definia o papel.
Giulio Neri actuou principalmente na sua Itália natal, cantando em todos os principais palcos da Ópera, bem como na rádio.
Se puderem, e encontrarem, ouçam-no.
Prometo que, dentro em breve, voltarei a ele, para indicar algumas das gravações disponíveis.
Até lá, aqui o têm exactamente no Grande Inquisidor, ao lado de Cesare Siepi.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Teresa Berganza


Rossini, Mozart e Bizet são os três compositores que ajudaram a cimentar a carreira de Teresa Berganza, versátil cantora espanhola que interpreta papéis de mezzo mas também de soprano.
Estreou-se em 1955 como Dorabella em “Così Fan Tutte”, e logo depois fez a Rosina do “Barbeiro de Sevilha”, papel que não mais abandonaria e que a celebrizou.
Nascida em 1935 ( o mesmo ano de Freni e Pavarotti), Berganza foi a primeira mulher eleita para a Academia Real das Artes, em Espanha.
É actualmente professora na Escola Superior de Música de Madrid.
Mais uma enorme cantora lírica espanhola.
Ei-la na “Cenerentola”.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Gwyneth Jones


Falo hoje de um dos maiores sopranos dramáticos que a Ópera conheceu.
Nunca esquecerei aquela noite na Aula Magna, repleta, em que ficámos completamente extasiados com a sua actuação. O auditório rebentava de aplausos no final de cada ária. E merecidos.
Gwyneth Jones, que nasceu em 1937, no País de Gales, estudou em Londres, mas à sua custa; trabalhava como empregada de balcão, num bar, para poder suportar as despesas.
O seu primeiro grande sucesso foi, indiscutivelmente, “Turandot”.
Mas seria nos papéis que Wagner escreveu para soprano, que Jones atingiria o apogeu e a fama.
O “Anel” com Boulez é inesquecível, e felizmente existe editado para que todas as futuras gerações o possam ver.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Ramon Vinay


Ramon Vinay (1911-1996) foi um cantor chileno extraordinário.
Muitos associam desde logo o seu nome ao “Otello” de Verdi, tal a fama que a sua interpretação deste papel lhe granjeou. Justamente. Cantou-o pela primeira vez com Toscanini numa emissão radiofónica em 1947, récita que foi depois gravada e que ainda hoje é referência obrigatória para quem queira ouvir um excepcional “Otello”. Para muitos, o melhor de todos.
Barítono, mas também tenor, Ramon Vinay interpretou toda a panóplia de papéis conhecidos para estas duas vozes, e sempre com grande brilho.
Mas para sempre ficará como…”Otello”.

domingo, 1 de julho de 2007

Magda Olivero

O que melhor define e distingue este soprano é a sua “expressividade”.
Por vezes, para quem a escuta pela primeira vez, não é fácil gostar, exige um maior número de audições, e então consegue-se apreciar o talento, a riqueza da interpretação.
Para muitos foi a maior “Adriana Lecouvreur”.
Magda Olivero, que nasceu em 1910, estreou-se em 1932 numa emissão radiofónica em Turim, e daí para todos os principais palcos italianos durante uma década. Em 1941 casou-se e retirou-se.
Voltou mais tarde exactamente para cantar a “Adriana”, e só cantará no MET em 1975 na “Tosca”. Tinha 65 anos!
As suas últimas aparições em palco datam de 1981, com “La Voix Humaine” de Poulenc.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Ana Ferraz


Há poucos anos vi-a no “Elixir de Amor”. Uma bela voz, excelente presença em palco.
O soprano Ana Ferraz, que eu conhecia da Ópera de Câmara do Real Teatro de Queluz, (com Carlos Guilherme, Wagner Diniz e Elsa Saque), foi discípula de grandes Professores, bastando citar Hugo Casaes, Elsa Saque e Helena Pina Manique, a nível nacional, e fez cursos em Itália com Gino Bechi e Magda Olivero, por exemplo.
Estreou-se em São Carlos em 1991, numa ópera portuguesa quase desconhecida, “Amor de Perdição” de António Emiliano. Mas ali cantou diversas óperas, entre as quais “Gianni Schicchi”, “Don Giovanni” e “La Spinalba”.
Tem vários cd editados, mas é preciso procurar bem nas discotecas, porque neste País estes valores líricos estão praticamente votados ao ostracismo pelos pontos de venda. Mas se perguntarem, talvez tenham sorte…

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Carlo Bergonzi


Há quem muito o admire e quem não goste assim muito.
Sabem porquê?
É que Carlo Bergonzi fala “axim” e não “assim”, e no seu canto, em muitas palavras, torna-se muito evidente e estranho.
Mas…apreciando a sua voz, temos de o colocar na galeria dos grandes tenores do século XX.
Nascido em 1924, foi prisioneiro de guerra dos alemães na II Grande Guerra. Quando esta terminou, regressa a Itália e inicia os seus estudos de canto.
Estreia-se como barítono em 1947 (Schaunard em “La Bohème”), e assim canta durante alguns anos, até que em 1951, com a voz reeducada, aparece como tenor com o “Andrea Chenier”.
Estreia-se no La Scala em 1953, e em 1955 canta pela primeira vez nos Estados Unidos, em Chicago.
Cantou com todas as grandes figuras da Ópera do seu tempo, e são inúmeras as gravações que nos deixou.
Retirado, Bergonzi é dono de um hotel em Busetto, a que chamou “I due Foscari”.

Vamos ouvi-lo na célebre ária “Quando le sere al placido” da “Luísa Miller” de Verdi, seu compositor preferido.

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