quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Génese de Grandes Óperas (5)

Por volta de 1870, na Calabria, um homem, palhaço de profissão, era julgado por ter morto a mulher.
“Está arrependido?”- perguntou o juiz, antes da sentença.
“Não estou arrependido de nada. Se tivesse de o fazer outra vez, fá-lo-ia.”
A assistir ao julgamento, estava o jovem filho do juiz. Chamava-se Ruggiero Leoncavallo (foto de cima). E vinte anos depois deste julgamento, o jovem era um compositor frustrado e sem sucesso, o que naturalmente o desgostava. Até porque um outro compositor, bem mais novo do que ele, acabara de escrever uma pequena ópera, em apenas um acto, que se tornara um êxito internacional. A ópera chamava-se “Cavalleria Rusticana” e o autor era Pietro Mascagni (foto de baixo).
Um dia, Leoncavallo fechou-se no seu quarto e, recordando o julgamento a que assistira, começou a escrever “Os Palhaços”, compondo a música em simultâneo. Demorou cinco meses.
Estreou em Milão, no Teatro dal Verma, em Maio de 1892, sob a batuta de um jovem maestro de 25 anos, Arturo Toscanini. Foi um sucesso estrondoso.
E seria exactamente Toscanini quem juntaria pela primeira vez a “Cavalleria” e “Os Palhaços”, em Roma. Logo se verificou que as duas óperas “encaixavam” como as peças de um puzzle. São as chamadas “óperas gémeas” desde então, sendo difícil encontrar a produção de uma, sem que a outra a acompanhe.
“Cav and Pag”, como os ingleses ainda hoje lhes chamam, catapultaram os seus autores para a fama internacional. E embora muitos críticos considerem que não são as suas melhores óperas, a verdade é que sem elas poucos conheceriam Leoncavallo e Mascagni.

5 comentários:

geocrusoe disse...

Podem não ser as suas melhores óperas, mas quando falamos destes compositores apenas Pag e Cav vêem à cabeça... de outros não me lembro

Hugo Santos disse...

São duas obras de um grande imediatismo, no melhor sentido da palavra. O verismo como expressão artística que privilegia a autenticidade, o dito "real", no fundo, um quotidiano que nos seja minimamente próximo. Nesse aspecto, estas duas ópera são exemplos acabados.

MCA disse...

Obrigada pela visita e pelo comentário na BdJ. Confesso que estava a contar com isso... :-) Volte sempre que eu também volto aqui.

Pedrita disse...

adorei o texto da anna. o marketing é importante, ainda mais para cantores talentosos conseguirem trabalho. mas inventar, exagerar só pra se ultrapassar aos outros é assustador. realmente é o talento que deve prevalecer. beijos, pedrita

Samuel disse...

O principal promotor do êxito dos Palhaços foi o Caruzo.

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