quarta-feira, 25 de abril de 2007

"La Donna è Mobile"

Muitos não conhecem ópera nenhuma.
Mas quase todos conhecem esta ou aquela ária.
“La Donna È Mobile”, por exemplo, do “Rigoletto”, faz parte deste grupo.
Todos os tenores mais conhecidos a gravaram, pelo que é fácil estabelecer comparações. Para mim, “Duque de Mântua” é Kraus.
Inicio com ela uma série de trechos líricos que todos conhecem, mas que talvez não identifiquem como sendo deste ou daquele compositor.
Porque uma coisa é saber que uma ópera se chama “Rigoletto”, outra é associar-lhe Giuseppe Verdi (desculpem os “profissionais”).
Enquadremos a acção: o Duque de Mântua, sedutor refinado, organiza uma festa, e no meio de muito álcool e das tropelias cínicas do seu bobo (Rigoletto), canta esta célebre ária, em que tenta justificar o seu atrevido comportamento, dado que sente ter sempre o caminho facilitado por parte das suas conquistas…
Vamos ouvir “La Donna È Mobile”, na interpretação de Alfredo Kraus, mesmo em fim de carreira.

14 comentários:

Teresa disse...

Acho a sua ideia de árias (ou coros) célebres giríssima, José! Haverá muita gente que saiba que o Va Pensiero é do Nabucco?

Já agora, acrescento aquilo que o José está farto de saber: que o Rigoletto foi inspirado numa peça de Victor Hugo chamada Le Roi s'Amuse.

E nunca me canso daquele magnífico final do II acto, os duetos entre a Gilda e o pai. Ou do quarteto. Já o La Donna È Mobile... confesso que até é frequente saltá-lo. Não por não gostar, claro... mas a facilidade acaba por saturar.

Aliás o próprio Verdi teve consciência disso e de como a melodia entrava logo no ouvido. Li algures que a ária só foi entregue ao primeiro Duque (Raffaelle Niratea) escassos dias da estreia, e com muitas recomendações do maior sigilo

APC disse...

Nem me ponho a adivinhar como é foi tropeçar no meu [já/ainda adormecido] blog e fez o favor de entrar, mas tinha que lhe dizer que encantada fico pelo facto, pois que este blog me fazia falta... Quer em termos culturais, quer lúdicos. Dei em compará-lo agora a um balão a gás, veículo em que nos fazemos levados numa suave viagem que é, ao mesmo tempo, uma grande aventura!
Aqui fica um abraço, o primeiro! :-)

jose quintela soares disse...

Olá "apc"

Muito obrigado pelas amáveis palavras.
Eu e a Ópera temos uma relação antiga...e este modesto espaço mais não é que um sonho de dar a conhecer esta nobre Arte.
Seja bem-vinda!
Oxalá goste!

Abraço

Anónimo disse...

Passo a corrigir: a ária do Duque de Mântua é cantada não numa festa mas na taberna de Sparafucile no último acto da ópera "Rigoletto" e é dirigida a Maddalena, a bela cigana que o Duque vai seduzindo.

jose quintela soares disse...

Passo então a fazer nova correcção:

A ária é cantada na primeira cena do primeiro acto, na festa que referi no palácio do Duque, e REPETIDA no último, na estalagem de Sparafucile, para a sua irmã Maddalena. Mas neste caso, em quarteto...

Certo?

Teresa disse...

Ou ou já não conheço o "Rigoletto", ou então a ária é a ária... e o quarteto só tem início quando o Duque começa a cantar para Madalena "Bella Figlia dell'Amore" - aí sim, surgem as outras vozes: Madalena, Gilda e Rigoletto.

Tenho de ir rever a ópera?

Anónimo disse...

Erro novamente: a primeira ária que canta o Duque intitula-se "QUESTA O QUELLA"!!! Só no último acto surge "La Donna è mobile!" Assim está correcto :-)

Teresa disse...

Apesar de estar de acordo - a ária do I acto é "Questa ou Quella" - acho que o caro anónimo podia ser mais delicado, nem sequer me parece que seja o mesmo que cá esteve em tempos, porque esse dialogava connosco, não intervinha só para mostrar sapiência à custa dos outros. E assinava por baixo, apesar de ter reconhecido ser um pseudónimo.

Eu digo que este anónimo é novo. Que lhe parece, José?

jose quintela soares disse...

Bom, peço desculpa pela minha "correcção" incorrecta, mas ontem foi uma noite para esquecer...
É claro que a ária que o Duque canta a Maddalena é o "Bella Figlia...", no quarteto.
As minhas desculpas.
Se há ópera que conheço bem é esta.

Respondendo à sua pergunta directa, Teresa, tenho também a certeza que este "anónimo" não está no Oriente...mas é bem-vindo, da discussão nasce a luz, desde que educadamente.
Há diversas maneiras de nos expressarmos...uns mais simpáticos...outros menos...

Teresa disse...

José, uma pergunta:
A tal versão do quarteto é ao vivo? Sabe onde foi, tem alguma pista? O ano?

Pois é, o nosso amigo Raul faz cá falta!

Anónimo disse...

Peço desculpa pela maneira como redigi a última mensagem. Não quis ofender ninguém que visita o seu site e principalmente o seu autor que merece toda a minha consideração. Creia-me sempre dedicado à causa da ópera.

Anónimo disse...

Teresa,
O quarto acto do Rigoletto passa-se na taberna do assassino profissional Sparafucille para onde foi atraído pela irmã de Sparafucille, a "sexy" Madalena. O palco apresenta dois planos: a taberna e cá fora à porta da taberna.
O acto começa por um pequeno diálogo a que se segue a ária La Donne e mobile, só dada ao tenor no dia da estreia e sem o agudo final que nós conhecemos (Toscanini não permetia). Segue-se o fabuloso quarteto Bella Figlia dell´amore, que é um quarteto, com um solo
inicial para o tenor e não uma árias.
Não percebo o que a Teresa quer dizer com versão ao vivo, pois há imensas versões da ópera ao vivo. Há, no entanto um quarto acto (terceiro de acordo com a concepção de Verdi), em versão de concerto dirigida pelo Toscanini e esta versão é muito célebre.
Liszt fez uma variação para piano do Bella Figlia que é uma joia da literatura pianística. Aconselho a versão de Jorge Bolet.
Raul

Teresa disse...

Raul,

Antes de mais... bons olhos o vejam! Já tínhamos comentado a sua ausência!

Eu sei tudo isso sobre o "Rigoletto", que conheço muito bem. Quando o José falou na festa fiquei confusa, porque só me lembrava da ária no III acto, justamente antes do maravilhoso quarteto. Tal como sei que é na taberna e que a Gilda e o pai estão cá fora...

A história da versão "ao vivo" era uma conversa particular entre mim e o José, que começou por mail... se quiser pode mandar-me mail para gotaderantanpla@gmail.com, que eu depois respondo-lhe do meu pessoal.

jose quintela soares disse...

Olá Raul!

Veja bem a confusão (de que sou cúmplice) que o Rigoletto gerou...com pessoas que conhecem muito bem esta ópera.

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