segunda-feira, 23 de abril de 2007

Franco Corelli


É fácil escrever algo sobre Franco Corelli (1921-2003).
Um dos maiores tenores italianos de todos os tempos, e praticamente “autodidacta” ( o pai era um simples marinheiro), Corelli cantou durante três décadas, sempre ao mais alto nível, arrebatando multidões, especialmente as constituídas pelo sexo feminino…dada a sua postura de “galã” nos palcos.
Vão perdoar, mas não posso deixar de aqui deixar registado como era conhecido em S.Carlos, teatro onde cantou inúmeras vezes: o “Pipi das damas”, tal o sucesso que tinha. “Pipi” era sinónimo de “elegante”, e essa expressão perdeu-se no vocabulário vernáculo. Muitas das senhoras das estolas…iam à ópera para o ver…mais que ouvir…
Todos os grandes papéis de tenor foram desempenhados e gravados por Corelli, que tinha na mulher o seu maior crítico. São conhecidas as discussões quase públicas entre ambos depois das récitas, quando ela o aconselhava a corrigir este ou aquele pormenor. No entanto, foram sempre um casal muito unido, e inseparável até à morte.
Muitos lamentam que este tenor não tenha sido o par de eleição de Callas, que cantou a maioria das vezes com um Giuseppe Di Stefano que, na minha modesta opinião, estava a “anos-luz” de Corelli. Disso se terá aproveitado Renata Tebaldi, que fez duetos inesquecíveis com Franco Corelli.
Um grande cantor.
Um grande senhor da lírica.

4 comentários:

Anónimo disse...

A Tebaldi aproveitou-se? Não será um verbo pouco simpático a aplicar a essa grande cantora italiana? Bom, mas não posso estar mais de acordo quanto à sua elegância e sobretudo nível vocal que sempre apresentou em público.
Cantou uma Carmen em 1973 em São Carlos já nos fins da sua carreira com a mezzo Viorica Cortez e a soprano Elsa Saque, que substituiu a sua irmã Zuleika que estava adoentada, no papel de Micaela. Foi uma noite gloriosa não só para Corelli mas também para a afirmação de uma soprano portuguesa no mais importante palco lírico do país.

jose quintela soares disse...

Talvez, caro anónimo, talvez...tenha sido "pouco simpático".
A Tebaldi não se aproveitou, de facto, de nada, porque não precisava.
Digamos que o destino entendeu colocá-los lado a lado. "A Força do Destino"?...
Melhor assim?

Obrigado pelo seu comentário.

Teresa disse...

Que posso eu dizer? Adoro a voz dele!
No dia em que morreu não ouvi mais ninguém. Lembro-me de ter mandado um sms a um amigo a dar-lhe a notícia, e de ele me ter respondido pela mesma via: "Que triste, sim. Já sabia, também estou a ouvi-lo".

João Luís disse...

Joao
Estando a ouvir Franco Corelli e encontrando este Blog que não conhecia não podia de deixar o meu comentário tive o privilégio de o ver e ouvir na Tosca e na Carmen duas grandes tardes no S.Carlos (quando as épocas eram muito boas).
Grande cantor grande ator quando trabalho em casa é sempre ao som desta voz única....Quanto mais o ouço mais me convenço que foi o maior de todos os tenores.Obrigado

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