quarta-feira, 9 de maio de 2007

Saber da sua "arte"....


Pois é…não há nada como saber da sua “arte”….

O “Metropolitan” de NY quer atrair maiores audiências para a ópera, principalmente o público jovem. E os seus responsáveis entenderam, e muito bem, que tal desiderato não se atinge com publicidade nos jornais… Resolveram que, via satélite, seria possível levar os espectáculos do Teatro a muitas cidades dos Estados Unidos, Canadá e vários países, nos quais, cronicamente, Portugal não está incluído. 275 gigantescos écrans de alta definição serão montados em grandes espaços ao ar livre,
E para estreia desta “mega-operação”, escolheram “O Barbeiro de Sevilha”, a que se seguirão mais cinco óperas. Tudo transmitido em directo.
O que aconteceu?
As lotações já estão esgotadas, e as dezenas de milhar de novos “amantes” da Ópera pagaram 18 dólares por cada bilhete. Mais ou menos 18 euros…para assistir a um espectáculo do “MET”… De graça, diria.

Pois é…não há nada como saber da sua “arte”…

domingo, 6 de maio de 2007

"Il Trovatore"

Voltamos a Verdi.

“Il Trovatore”, ópera estreada em 1853 em Roma.

É daquelas óperas que qualquer leigo ouve do princípio ao fim sem aborrecimento, tantas as árias que facilmente “entram no ouvido”, melodiosas e bonitas.
Por isso, faz parte daquele conjunto que integra qualquer “série” de iniciação a esta nobre arte.
Ouviremos “Tacea la Notte”, ária que Leonora (soprano) canta no 1º acto, ela que é amada pelo Conde de Luna (barítono) e Manrico (tenor), este último “Il Trovatore”, que dá o nome à ópera.
Muitos sopranos célebres cantaram Leonora, sendo difícil destacar um.
Aqui vamos ouvir Antonietta Stella, uma das excelentes intérpretes do papel.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

"Séguedille"

Continuamos na “Carmen”, que foi estreada em Paris em 1875, tendo sido um fiasco nessa ocasião, o que aliás sucedeu a muitas das outras óperas mundialmente reconhecidas depois como extraordinárias. Diga-se até que Bizet ficou tão chocado com o fracasso, que morreu três meses depois da estreia, triste e desiludido.
Se a “Habanera”, que ouvimos anteriormente, é célebre, o que ouviremos agora, a “Séguedille”, não o é menos.
É com ela que Carmen, presa por ter agredido uma colega da fábrica de tabaco onde trabalhava, seduz e convence Don José a libertá-la, aí se iniciando uma relação tempestuosa que constitui o enredo da ópera.
Para a cantar , a grande Fiorenza Cossotto, um “mezzo” excepcional de quem já falámos neste blogue, aqui na fase inicial da sua carreira.

terça-feira, 1 de maio de 2007

"Habanera"

Vamos ouvir Bizet.
Bizet é, na ópera, sinónimo de “Carmen”.
E “Carmen” é, para a maioria dos leigos, “Habanera”.

Nela, Carmen apresenta-se, digamos que funciona como “cartão-de-visita” da personagem para o resto da ópera.
Uma mulher do povo muito desejada pelos homens, e que encara o amor com grande ligeireza, mas avisando que “se eu te amar…toma cuidado!”.

Maria Callas foi uma intérprete de excepção da “Habanera”, e porque todos a conhecem neste trecho, resolvi anexar a este post uma preciosidade histórica diferente.
A grande e hoje muito esquecida Rosa Ponselle, soprano americano que conheceu o seu apogeu nos anos 20 e 30, num raro registo que se saúda.
É que ainda se encontram destas “preciosidades” neste reconfortante mundo da net.

sábado, 28 de abril de 2007

"Bella Figlia dell' Amore"

Continuamos no “Rigoletto” de Verdi, desta vez para ouvirmos o celebérrimo “quarteto”, cantado pelo barítono (Rigoletto), soprano (Gilda, sua filha), tenor (Duque de Mântua) e Madalena (contralto, irmã de Sparafucile, baixo). A ária tem por título “Bella Figlia dell’Amore”.
Enquanto o Duque ensaia mais uma das suas conquistas com a irmã do estalajadeiro, Rigoletto leva a sua filha até lá, para ela finalmente acreditar que o Duque é um conquistador leviano.
Na versão que aqui apresento, reconheço a enorme Joan Sutherland (Gilda) e Nicolai Gedda (Duque).
Este “quarteto” é muito conhecido e apreciado, e na verdade, quando bem cantado, como aqui, não há muitas palavras para o descrever.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

"La Donna è Mobile"

Muitos não conhecem ópera nenhuma.
Mas quase todos conhecem esta ou aquela ária.
“La Donna È Mobile”, por exemplo, do “Rigoletto”, faz parte deste grupo.
Todos os tenores mais conhecidos a gravaram, pelo que é fácil estabelecer comparações. Para mim, “Duque de Mântua” é Kraus.
Inicio com ela uma série de trechos líricos que todos conhecem, mas que talvez não identifiquem como sendo deste ou daquele compositor.
Porque uma coisa é saber que uma ópera se chama “Rigoletto”, outra é associar-lhe Giuseppe Verdi (desculpem os “profissionais”).
Enquadremos a acção: o Duque de Mântua, sedutor refinado, organiza uma festa, e no meio de muito álcool e das tropelias cínicas do seu bobo (Rigoletto), canta esta célebre ária, em que tenta justificar o seu atrevido comportamento, dado que sente ter sempre o caminho facilitado por parte das suas conquistas…
Vamos ouvir “La Donna È Mobile”, na interpretação de Alfredo Kraus, mesmo em fim de carreira.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Franco Corelli


É fácil escrever algo sobre Franco Corelli (1921-2003).
Um dos maiores tenores italianos de todos os tempos, e praticamente “autodidacta” ( o pai era um simples marinheiro), Corelli cantou durante três décadas, sempre ao mais alto nível, arrebatando multidões, especialmente as constituídas pelo sexo feminino…dada a sua postura de “galã” nos palcos.
Vão perdoar, mas não posso deixar de aqui deixar registado como era conhecido em S.Carlos, teatro onde cantou inúmeras vezes: o “Pipi das damas”, tal o sucesso que tinha. “Pipi” era sinónimo de “elegante”, e essa expressão perdeu-se no vocabulário vernáculo. Muitas das senhoras das estolas…iam à ópera para o ver…mais que ouvir…
Todos os grandes papéis de tenor foram desempenhados e gravados por Corelli, que tinha na mulher o seu maior crítico. São conhecidas as discussões quase públicas entre ambos depois das récitas, quando ela o aconselhava a corrigir este ou aquele pormenor. No entanto, foram sempre um casal muito unido, e inseparável até à morte.
Muitos lamentam que este tenor não tenha sido o par de eleição de Callas, que cantou a maioria das vezes com um Giuseppe Di Stefano que, na minha modesta opinião, estava a “anos-luz” de Corelli. Disso se terá aproveitado Renata Tebaldi, que fez duetos inesquecíveis com Franco Corelli.
Um grande cantor.
Um grande senhor da lírica.
Locations of visitors to this page