segunda-feira, 25 de junho de 2007

Carlo Bergonzi


Há quem muito o admire e quem não goste assim muito.
Sabem porquê?
É que Carlo Bergonzi fala “axim” e não “assim”, e no seu canto, em muitas palavras, torna-se muito evidente e estranho.
Mas…apreciando a sua voz, temos de o colocar na galeria dos grandes tenores do século XX.
Nascido em 1924, foi prisioneiro de guerra dos alemães na II Grande Guerra. Quando esta terminou, regressa a Itália e inicia os seus estudos de canto.
Estreia-se como barítono em 1947 (Schaunard em “La Bohème”), e assim canta durante alguns anos, até que em 1951, com a voz reeducada, aparece como tenor com o “Andrea Chenier”.
Estreia-se no La Scala em 1953, e em 1955 canta pela primeira vez nos Estados Unidos, em Chicago.
Cantou com todas as grandes figuras da Ópera do seu tempo, e são inúmeras as gravações que nos deixou.
Retirado, Bergonzi é dono de um hotel em Busetto, a que chamou “I due Foscari”.

Vamos ouvi-lo na célebre ária “Quando le sere al placido” da “Luísa Miller” de Verdi, seu compositor preferido.

3 comentários:

Anónimo disse...

Bergonzi não cantou em Sáõ Carlos o Baile de Máscaras na década de 80? E teve um pagem Óscar fantástico, conta quem assistiu às récitas- a cantora portuguesa Helena Pina Manique. Aqui fica a minha homenagem a esta cantora e professora de canto portuguesa

bbarahona disse...

Carlo Bergonzi cantou de facto em Maio ou Junho 1983 em apenas uma récita "extra" da ópera Um Baile de Máscaras, pois as 3 récitas anteriores foram suspensas por greve da orquestra. Foi de facto uma récita "única" (em todos os sentidos) e data daí a minha paixão e admiração por este grande tenor. Tive a sorte de encontrar bilhete à última hora e de o ouvir ao lado de Piero Cappuccilli, de Josella Liggi, de Helena Pina Manique e da japonesa Kyoko Makino em Ulrica (que por sinal falhou o grave na frase "Silenzio, silenzio!"). Helena Pina Manique cantou um excelente Oscar, do qual bem me recordo e tenho pena de a não ter voltado a ouvir, pois nas récitas seguintes seria substituída por uma novíssima Elvira Ferreira, que integrava o outro elenco (com Fernanda Nunes em Amelia e o japonês Taro Icchihara em Ricardo; o Renato seria Giorgio Zancanaro ou este só veio para a Luisa Miller seguinte com a Zampieri?).
Na estética vocal que eu professava aos 14 anos, com uma absoluta ignorância musical pois começara a ouvir ópera apenas nesse ano, confesso que fiquei maravilhado com Bergonzi e Cappuccilli, mas principalmente com o tenor. Se eu já gostava de ópera, a partir daí foi o delírio e lembro-me de ter pensado que aquele espectáculo era ainda muito melhor do eu julgava que alguma vez fosse possível realizar. Depois disso ainda ouvi Bergonzi em recital em São Carlos (onde uma canção francesa foi dita como “Xé t’une xanxon d’amour”) e nos Lombardos de uns anos depois (onde trouxe a sua aluna Silvia Mosca, entre outros). Nunca esquecerei a capacidade de soltar pequenas gargalhadas em "E scherzo ed e follia", do êxtase em “La rivedrà nell’estasi”, do dueto de amor no 2º acto e da ária final (assim como também não esquecerei a forma de falar "axim" na frase "E tu m'appronta un fatto da pexecator". Mas tudo isto se perdoava com o deleite musical que vinha do seu canto, da infindável capacidade de respiração, do timbre único, do fraseado impecável, do bom gosto nos recitativos, enfim, cada frase era para mim uma autêntica lição de canto! Depois disso comprei muitos discos de Bergonzi, que ouvia inúmeras vezes e nas mais diferentes ocasiões, mas nunca lhe agradeci verdadeiramente os momentos de profunda felicidade que me proporcionou!
Bernardo Barahona

jose quintela soares disse...

Caro Bernardo Barahona

Muito grato pelo seu comentário, tão elucidativo.
Bergonzi merece, ele que tão esquecido anda.

Um abraço

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