quinta-feira, 4 de junho de 2009

Don Giovanni

Em Fevereiro de 1999, escrevia o Maestro José Atalaya:

“Já há muito que melómanos e profissionais exigiam aquilo que brilhou com força na última representação do “D.Giovanni” – a capacidade de produzir, com qualidade digna de ser ouvida em qualquer teatro da Europa (ou dos Estados Unidos), uma obra-prima do teatro lírico (neste caso um autor tão genial e complexo como Mozart) com um elenco confiado nas máximas figuras a cantores portugueses”…

…”estão de parabéns Sílvia Mateus (que voz, que saber!), um José Fardilha em constante “crescendo” (ambos aplaudidos em cena aberta!), Ana Ferraz, “Zerlina” saborosíssima, em contraponto com aflições de um engraçado “Masetto” (Luís Rodrigues), Elisabeth Matos (grande revelação) e os habituais primores da presença vocal e histriónica de Vaz de Carvalho, no desempenho do protagonista”.

Passou uma década.
E perante novo “Don Giovanni” no São Carlos, onde a única presença portuguesa é Carla Caramujo em “Donna Anna”, questiono se houve progresso…ou bem pelo contrário…

6 comentários:

pEdrO fIgUEIrA disse...

Pois...portugueses alcançam vitórias no estrangeiro e cá dentro são refugo. Pena pois, como se tem visto por cá, o que cá vem parar é escória, com honorários que...enfim. Mas já o nosso Eça dizia que dávamos mais importância ao estrangeiro por ser estrangeiro do que propriamente à qualidade. Pena!!!
Acho que é tempo de alguém novo e PORTUGUÊS, assumir o rumo das coisas. Há gente mais que formada e graduada para o serviço, mas não, utilizamos gente que conhece as coisas por alto.
Há que calçar as luvas, vestir a bata e fazer uma limpeza geral.

geocrusoe disse...

ouvir d giovanni com qualidade é sempre um prazer meu, a última vez foi em praga.
interessante que ouço ana ferraz com grande prazer e qualidade na horta e aí no tnsc parece que não acontece o mesmo... algo continua mal nesse teatro.

Hugo Santos disse...

Lapidar, caro José.

Paula Nunes Lima disse...

Vimos na Tv, em directo de uma cidade francesa, no canal de música, D. Giovanni. Se bem que a encenação fosse "modernaça" continua a ser uma das minhas favoritas. Não assisti ainda a esta ao vivo, mas não deixo de lembrar com muita saudade as palestras do Maestro Atalaya onde aprendi que a música não é só bela, tem um sentido. Numa das muitas a que assisti, incluiu "Là ci darem la mano" com a Elvira Ferreira que ficou uma das favoritas.
Bom fim de semana
Paula e Rui Lima

Sr. José Mlinsky disse...

Concordo com voçês,mas caro Pedro,a culpa de se preterir o português a favor do estrangeiro ,é exclusivamente ...nossa!Além da falta de auto-estima ,o português não perde uma oportunidade de destruir ou considerar sempre que o trabalho do seu compatriota é mau.Por outro lado,não vejo ninguém português com "bagagem" para endireitar o S. Carlos.O último que lá esteve foi Paulo Ferreira de Castro e mostrou grande falta de conhecimento para gerir o TNSC.Existem grandes interesses instalados no S. Carlos que boicotam(é este o exacto termo)descaradamente o trabalho de outros.Assim, é muito difícil,diria mesmo impossível,apresentar um trabalho de qualidade a todos os níveis. Apesar de ser suspeito,considero que com a nova maestrina,a OSP tem estado,devagar mas segura,a subir de rendimento,quanto ao resto...!!???O pior ,é que pelos erros de uns (poucos),pagam todos.
Saudações Musicais

Anónimo disse...

Pois sim e encenadores que nada entendem de ópera, encenarem ópera? Para tal encenador um elenco de 5ª da moldávi ainda seria bom demais. Tenho dito.

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