segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Génese de Grandes Óperas (8)



Otto Wesendonck vivia numa quinta dos arredores de Zurique com a mulher, Mathilde (foto de cima), catorze anos mais nova do que ele.
Zurique estava então repleta de refugiados alemães, que haviam saído do seu país após a falhada revolução de 1848/9. Entre eles, Richard Wagner, e a mulher, Minna.
O compositor estava quase na miséria, vivendo de ajudas de amigos, entre os quais se contava Wesendonck, que recebia Wagner na sua casa com assiduidade.
E desde logo Wagner e Mathilde iniciaram um romance secreto, que inspirou o compositor alemão para “Tristão e Isolda”, segundo ele próprio escreve a um amigo, o grande Liszt. Compõe o primeiro acto, com o pensamento em Mathilde, mas também em Cosima (foto de baixo), filha de Liszt, que viria a ser a sua futura mulher.
Os conflitos com Minna são permanentes, e Wagner decide partir. Para Veneza, onde se instala num palácio degradado de um amigo, em pleno Grand Canal.
É na cidade italiana que escreve o segundo acto de “Tristão e Isolda”, completamente absorvido no seu trabalho.
Aproximava-se o Verão, e Wagner decide sair da cidade, para poder escrever o que lhe faltava sem suportar o calor. Vai então para Lucerna, onde compõe o acto final.
A estreia só acontecerá seis anos depois, em Junho de 1865, em Munique.
A crítica delirou.
Um dos jornais escrevia que “Tristão e Isolda” era “um dos mais impressionantes monumentos de som alguma vez esculpidos”.
E, seguramente, todos concordamos.

3 comentários:

geocrusoe disse...

Apesar de ser uma obra puramente wagneriana é completamente diferente das outras obras de wagner... quer na forma de desenvolvimento da narrativa, quer mesmo na música. claro, pelo teor do relato do post... parcialmente biográfica ao nível da traição de amigos próximos.

Rui Luis Lima disse...

Caro José quintela Soares!
Eata é a nossa opera favorita do grande Richard Wagner. Foi um prazer ler a sua crónica, aprendemos sempre mais um pouco
Abraço cinéfilo
Paula e Rui Lima

Paulo disse...

A crítica delirou, pudera! Nunca tinha ouvido nada assim.

Locations of visitors to this page