domingo, 18 de novembro de 2007

As Óperas de Verdi (3)


A primeira ópera a evidenciar o verdadeiro génio dramático de Verdi foi o seu “Rigoletto” (Veneza, 1851), escrito sobre um libreto baseado na peça de Vítor Hugo “Le Roi S’Amuse”. A peça de Hugo causara escândalo quando se estreou, em 1832, e é bastante possível que Verdi a tivesse escolhido por isso mesmo, tal como Mozart para “As Bodas de Fígaro”, peça que fora proibida ostensivamente, por razões morais.
Houve as obstruções habituais, mas depois de terem transformado o histórico rei de França num imaginário Duque de Mântua, o libreto foi aprovado pela censura.
“Rigoletto”, um drama de paixões violentas e daquilo a que se chama “situações fortes”, atraiu Verdi porque o herói da peça, em vez da personagem vulgar obviamente simpática, tenor da companhia e nada mais, era uma criatura de emoções complexas, externamente de figura hedionda, apenas interessante pelo mais secreto fundo da sua personalidade.
Mais duas óperas de Verdi apareceram em 1853: “Il Trovatore”, em Roma, e “La Traviata”, em Veneza; a primeira foi um êxito estrondoso e imediato; a segunda um desastre. “Il Trovatore” seguiu o caminho aberto por “Rigoletto”; baseia-se num drama espanhol que mostra influências do sensacionalismo de Vítor Hugo, mas com um lirismo específico. A peça espanhola foi concebida como drama poético em que a mesma poesia justificava a violência da paixão, Era por isso bem apropriada para dela se fazer uma ópera, e nos dias de hoje, que as óperas de Verdi já ganharam certa “patine” de classicismo, podemos aceitar os absurdos da história como preço das emoções que a ópera apresenta com irresistível e intenso fervor.

1 comentário:

isabel victor disse...

Leio com imenso interesse o que aqui escreve. Adoro mas não comento porque não sou entendida no assunto. Sou devotada espectadora mas não ouso comentar.

Agradeço-lhe as visitas e a sugestão que deixou no "Caderno de Campo" para visitar a exposição patente na Fundação M.Soares.

Espero fazê-lo, precisamente, amanhã ...

A exposição a que se refere nunca visitei. Conheço apenas a exposição permanente da Casa-Museu e Centro Cultural João Soares, em Cortes/Leiria, intitulada “SÉCULO XX PORTUGUÊS - OS CAMINHOS DA DEMOCRACIA, sob direcção do historiador Fernando Rosas

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Obrigada José Quintela.

Deixo-lhe um caloroso abraço (ainda que virtual ... )

iv*

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