quinta-feira, 16 de julho de 2009

DVD Revisitado (3)


Renata Tebaldi (“Leonora”), Ettore Bastianini (“Don Carlo”), Franco Corelli (“Don Alvaro”) e Boris Christoff (“Padre Guardiano”).
É “apenas” este o elenco desta “Força do Destino” cantada em Nápoles, no dia 15 de Março de 1958, no célebre “San Carlo”, com Francesco Molinari Pradelli à frente da Orquestra e Coro do teatro.
A imagem não é, obviamente, “digital”… mas aquelas vozes bastam para rapidamente nos esquecermos de tudo isso. Mesmo que não haja melhor “Leonora” que Leontyne Price (na minha opinião).
E como brinde, ainda uma entrevista a Tebaldi.
Uma preciosidade.

5 comentários:

Hugo Santos disse...

Tudo o que se possa dizer sobre este registo nunca é demais. Mesmo que a qualidade da imagem fosse inferior ao que é na realidade, bastariam as vozes para valer a pena adquirir este DVD. Magnífico.

geocrusoe disse...

Ouvi várias vezes que era uma obra maldita, pelo que nunca a ouvi... e até nem sou superticioso.

bbarahona disse...

Caro José Quintela Soares,
já tinha ouvido excertos no Youtube desta famosíssima Forza de 1958, com uma Tebaldi no esplendor da sua forma, uma vez enorme e bem projectada, mas ainda com facilidade nos agudos (veja-se o dueto com o baixo no II acto, embora sobreagudos nunca os tenha tido). Anos mais tarde quando passou a frequentar quase exclusivamente o reportório para lírico-spinto, o volume da voz aumentou no registo médio, a voz escureceu e tornou-se mais dura, principalmente depois duma série de Giocondas no Met em 1962/63, perdendo com isso parte do esplendor dos agudos.
Mas mesmo antes de 62/63 numa Aida em Paris em 1960 as dificuldades no III Acto da Aida na ária do Nilo são já evidentes.
O Corelli também está no auge, assim como Bastianini, o meu barítono favorito. Há uma gravação que conheci em vinil na Ópera de
Chicago dum concerto de 1958 com a Tebaldi, Simionato e Bastianini, onde este dá uma interpretação sublime da ária "Nemico della patria".
Muito embora tenha sido uma grande verdiana, na minha opinião Leontyne Price não rouba o papel de Leonora à Tebaldi.
Obrigado por mais este post.

Bernardo Barahona

Hugo Santos disse...

Caro Bernardo,

permita-me a correcção: Renata Tebaldi cantou "La Gioconda" no MET, pela primeira vez, a 22 de Setembro de 1966. As dificuldades vocais que menciona reportam-se, salvo erro, a um período cujo término coincide com uma série de récitas da "Adriana Lecouvreur", cantadas precisamente em 1963, no MET.

bbarahona disse...

Caro Hugo Santos,
muito obrigado pela correcção que me fez, talvez eu tenho de facto confundido a Adriana de 1963 com a Gioconda de 1966 em diante.
O que é certo é que à medida que a voz foi escurecendo, se tornou mais rígida e centrada no registo médio, foram desaparecendo do seu reportório papéis como o de Violetta, a Leonora do Trovador e a Margarida do Fausto, que exigiam alguma coloratura, para se centrar essencialmente no reportório romântico tardio e/ou verista (Mozart já tinha sido abandonado no início da década de 50 e o pouco Wagner que fez foi paradoxalmente no início de carreira e sempre em italiano).
Para trás ficavam algumas gravações históricas da Joana d'Arco e de algum Rossini (pelo menos a "Selva opaca" do Guilherme Tell) que permitem atestar a qualidade extraordinária duma voz no seu auge. Mesmo os "fioriture" são executados sem esforço aparente por uma vez clara e luminosa, sem grande agilidade e essencialmente lírica.
No final da década de 60 grava algumas árias de papéis que não chegou nunca a cantar em palco, como "In questa reggia", da Turandot, a ária da Abigaille do Nabbuco, a "casta diva" da Norma (com recitativo e caballetta - embora se opusesse à sua divulgação pela Decca, o que só recentemente foi feito no youtube), as da Manon de Massenet e até algumas árias para mezzo, como as da Carmen e as da Dalila do Sansão, estas sempre em italiano. Em 1971 (?) grava a sua última integral, num papel que nunca fez parte do seu reportório habitual (vá-se lá saber porquê!!), a Amelia do Ballo in Maschera junto do jovem Pavarotti.
Em 1973 abandona a ópera e até 1976 só dá concertos operáticos, despedindo-se nesse ano com um espectáculo no Scala.
Em 1973 dá um enorme concerto com Corelli em Tóquio, com piano e orquestra, escolhendo-se adequadamente um programa à medida das suas capacidades e de forma a poupar grandes esforços a 2 grandiosos veteranos em final de carreira. Faz parte do programa a deliciosa canção "Anzoleta avanti la regata" da Regata Veneziana, de Rossini cantada perante um público nipónico essencialmente ignorante, mas disposto a cair facilmente em extase e que aplaude em delírio.
Mas tomara nós termos hoje em dia no seu auge vozes com as daquela época quando já estavam na fase decadente!
Julgo que algumas das "estrelas" de hoje não passariam de cantores interessantes há 50, 40 ou mesmo 30 anos (numa época em que, ao lado das "estrelas" havia ainda Antonietta Stella, Anita Cerquetti, Ilva Ligabue, Mario Sereni, Renato Cioni, Gianni Raimondi, Gianni Poggi, Gianna d'Angelo, Anna Moffo ou mesmo
Renata Scotto - "la piccolla Renata").
Mais uma vez obrigado por nos ser dado a conhecer a edição recente deste vídeo.

Bernardo Barahona

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