sexta-feira, 9 de março de 2007

Hermann Prey


A sua juventude passou-se na Alemanha nazi, mas o fim da Guerra permitiu-lhe, aos 15 anos, ir aperfeiçoar a sua bela voz de barítono em Berlim, com conceituados professores.
Dá o seu primeiro concerto de "Lied" em 1952.
Estreia-se em Bayreuth em 56, no "Tannhauser".
O nome de Prey surge de imediato associado ao de um compositor : Mozart. Na verdade, parecia que estava mais à vontade nas óperas do Génio. Nunca esqueço as suas "Bodas de Fígaro" com a grande Mirella Freni, que felizmente existe em dvd.
Mas não foi só em Mozart que Prey brilhou: Verdi, Rossini, J.Strauss, entre muitos outros, fazem parte do seu rol de sucessos.
Foi fundador do Festival Schubert, ele que nos seus concertos de "Lied" elevou este compositor a um patamar magnífico.

7 comentários:

Teresa disse...

O José sabe da minha paixão por este cantor. Lembro-me perfeitamente da minha iniciação na Internet, em 1998, o técnico que tinha acabado de instalá-la ainda no escritório a explicar-me como fazer uma pesquisa. Eram as dark ages do a.G. (antes do Google). A primeira coisa que pesquisei foi Castle Howard (norte de Inglaterra, Brideshead na série que eu venero, e que aparece também no Barry Lyndon). A segunda pesquisa foi Joan Sutherland. A terceira foi... Hermann Prey. E fiquei em choque quando descobri que tinha morrido no mês anterior (Julho). Os nossos jornais são TÃO bons a noticiar estas coisas! O grande Sir Georg Solti morreu menos de uma semana depois da princesa Diana, também ninguém falou no assunto...

O Herman Prey era, ainda por cima, um grande actor, com um talento especial para a comédia. Vê-lo nas deliciosas realizações do Jean-Pierre Ponnelle do Barbeiro e das Bodas de Figaro, ou no Morcego é um deleite para os olhos (para não falar nos ouvidos). Com muita pena minha, não há, que eu saiba, registo filmado do seu fabuloso Papageno, um dos seus papéis favoritos. Comprei a Flauta Mágica do Solti só por causa dele...

Era idolatrado em Viena (a ópera mais exigente do mundo), Munique e Berlim. Tenho as memórias dele: First Night Fever, onde ele faz, entre outras, uma profunda e interessantíssima dissecação da Winterreise de Schubert que me faz, uma vez mais, lamentar não ter estudado música, para melhor compreender.

MCA disse...

Também gosto imenso de Herman Prey e tenho uma especial predilecção pelo Papageno dele. Na verdade, para mim, Papageno é Herman Prey. Talvez não haja à venda registo filmado mas eu vi-o na televisão a fazer Papageno. Há muitos, muitos anos. Era muito jovem, talvez por isso esta associação de ideias entre cantor e personagem. Um timbre maravilhoso!

Teresa disse...

Aqui fica o Papgeno dele:

Hermann Prey - Der Vogelfanger Bin Ich Ja

Teresa disse...

Enganei-me no código, aquele link é do Largo al Factotum, também por ele.

O do Papageno é este:
Hermann Prey - Der Vogelfanger Bin Ich Ja

Anónimo disse...

Não aprecio o seu Fígaro do Barbeiro. Está longe dos grandes barítonos italianos (Gobbi, Taddei, Bastianini,...). É supremo em todo o reportório alemão, principalmente no romântico. Tem uma qualidade rara que é colocar um sorriso na voz e isso fá-lo magistralmente na sua língua.
Raul Andrade Pissarra

ARS INTEGRATA disse...

Gosto do Hermann Prey, sobretudo pelas suas qualidades tímbricas, e tenho várias gravações com ele, mas discordo inteiramente que seja o melhor Papageno - subjectividade do gosto e dos afectos aparte, na medida do possível -, pois não me parece que o uso do staccato (ainda que muito moderado) seja a melhor opção na deliciosa ária de Die zauberflöte (A flauta mágica). Comparece-se com a interpretação em fluido legato de Dietrich Fischer-Dieskau sob a batuta de Karl Böhm, naquela que me parece ser a melhor gravação de sempre desta ópera de W.A. Mozart (v. http://www.towerrecords.com/product.aspx?pfid=1192866 ). Aliás, o proprio Fischer-Dieskau efectuou várias gravações da mesma obra (inclusive com Solti), mas parece-me (e não só a mim) que foi naquela que atingiu a perfeição.
David Z.

jose quintela soares disse...

Obrigado pelo seu comentário, David.

Eu penso que é tudo uma questão de gostos. Há quem prefira o Prey, outros optam pelo Dieskau.

Neste blogue há lugar para todos.

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