domingo, 14 de fevereiro de 2010

"Vozes Líricas do Séc.XX"




Coralista do S.Carlos, Osvaldo Macedo de Sousa escolheu 120 nomes de grandes vozes do século passado, e pediu a diversos caricaturistas portugueses que os retratassem.
O resultado é simplesmente espantoso, e pode apreciar-se na Galeria de Exposições do Museu do Teatro.
Interroguei-me sobre a razão pela qual uma exposição desta índole não estaria no próprio Teatro lírico. A resposta vem no catálogo da exposição, dada pelo próprio autor da iniciativa:
“Não consideraram o projecto interessante”.
Visitem a exposição. Chega a ser comovente, olhar para talentosas caricaturas dos grandes nomes, aqueles que temos nas nossas discotecas, e constatar que não somos só nós que os não esquecemos.
S.Carlos achou que não valia a pena….
Pobre S.Carlos!

Parabéns, Osvaldo Macedo de Sousa!

(Agradeço-lhe a autorização para citar estes dados)


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Curiosidades (9)


Durante anos, a direcção do MET sonhou repetir o êxito da dupla Caruso-Farrar com uma outra igualmente brilhante formada por Beniamino Gigli (1890 – 1957) e Maria Jeritza (1887 – 1982).
Só que…a antipatia que nutriam um pelo outro era conhecida.
E numa representação da “Fedora”, ao rejeitar a protagonista, Gigli empurrou-a tão violentamente que a Jeritza por pouco não caiu no fosso da orquestra. O soprano aleijou-se, mas continuou a cantar sentada no chão à ponta do palco.
Nos bastidores, após a récita, o tenor disse que tinha sido um acidente, mas Jeritza não se coibiu de gritar que ele a tinha tentado matar. E virando-se para o marido, pediu-lhe para defender a sua honra, desafiando Gigli para um duelo. Não houve duelo, porque não houve qualquer desafio para tal.
Mas Jeritza avisou o MET que não mais cantaria com Gigli, no que foi rapidamente contrariada, porque estava programada, de há muito, uma “Tosca” com ambos os cantores.
Que foi, claro, um grande sucesso.
O público e a crítica foram unânimes na apreciação da famosa dupla, mas todos repararam que Jeritza nunca veio ao palco agradecer os aplausos ao lado de Gigli.
Porque se recusou a tal.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Ontem ouvi (12)

Estreada em Weimar em 1850.
Pode não ser a melhor gravação que existe (há quem considere uma de 1964 com Elisabeth Grummer, Christa Ludwig e Jess Thomas), mas é excepcional.
Gundula Janowitz é uma “Elsa” fabulosa, Gwyneth Jones uma “Ortrud” fantástica, e claro, James King no “Lohengrin”, está ao nível das suas acompanhantes.
Note-se que a gravação é de 1971, isto é, todos estes cantores estavam plenos de força e no apogeu das suas carreiras.
Kubelik dirige como poucos, perfeitamente à vontade numa ópera que conhecia em profundidade, e que, como sabemos, é difícil de reger, dado que a sua estrutura é algo difusa.
Recomendo.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Curiosidades (8)


As récitas de “Turandot” no MET, com Birgit Nilsson e Franco Corelli, ficaram célebres, e não apenas pelas qualidades destes dois cantores de excepção.
No segundo acto, as notas “altas” de tenor e soprano sempre fizeram as delícias das plateias, nomeadamente a “C” no final de “In questa reggia”, em que ambos atingem sons assombrosos.
Pois bem, Nilsson e Corelli faziam questão de prolongar quanto possível esta nota, e conseguiam-no.
Mas uma noite, Nilsson prolongou-a ao ponto de Corelli não a conseguir acompanhar.
O próprio maestro achou que o soprano se excedera, e em tom mordaz, aconselhou Corelli a pregar-lhe uma partida: no dueto de amor, em vez de a beijar, morder-lhe uma orelha. O tenor achou graça, mas não ousou tal. Em vez disso, cantou “Nessun Dorma” irrepreensivelmente, e quando Turandot cantou “La mia gloria è finita”, seria esperado Calaf responder com “No! Essa incomincia”. Mas Corelli, como vingança, cantou “Sì! Essa finisce!”
O público percebeu, Nilsson obviamente também. E sorriu de seguida.
Rezam as crónicas que os aplausos foram delirantes.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Irmgard Seefried


Irmgard Seefried (1919 - 1988).
Quem se lembra dela?

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Curiosidades (7)


Fala-se muito, hoje em dia, não só das encenações mas também do guarda-roupa utilizado em cena. Há vozes em todos os sentidos, desde a fascinação ao repúdio.
Só que a questão não é nova, e muito menos característica dos tempos modernos.
Em 1969, a grande Marilyn Horne estreava-se no Scala, em “Oedipus Rex”, de Stravinsky, interpretando a “Jocasta”.
Ora esta ópera não tem, como sabemos, grandes ou pequenas movimentações em palco, ficando os cantores imóveis, de frente para o público, durante a récita.
Daí que o encenador tenha pensado que seria interessante que a “Jocasta” parecesse um ovo de cor roxa, em que a única parte “humana” fosse a cabeça…
Marilyn Horne sujeitou-se a isso.
As críticas, à época, foram devastadoras, e a própria cantora não ficou apaixonada pelo desempenho…Sentiu mesmo grandes dificuldades em acompanhar a orquestra.
E quando Claudio Abbado lhe perguntou: “Não consegue ouvir a sua parte?”, a grande cantora apenas respondeu, enfadada: “Não consigo é ouvir nada desta ópera!”.
E nunca mais voltou a interpretá-la.

sábado, 16 de janeiro de 2010

3 Anos!

Este blogue completa hoje 3 anos.
Não sei se está a cumprir o seu objectivo primeiro, divulgar a Ópera a todos, mesmo aos que dizem "não gosto" ou "não me interessa".
Quantos desses já ouviram uma Ópera?
Por outro lado, não pretendo impôr uma das minhas paixões a ninguém, porque não gostaria que me impusessem, por exemplo, doses maciças de "rock"... Há, e ainda bem que assim é, gostos para tudo, variedade na escolha, tempo para ouvir e ver o que mais nos atrai.
"Opera Per Tutti" continuará a mostrar o que me parecer mais relevante, nesta época de reedições de antigos sucessos, uma vez que as produtoras discográficas vivem momentos de alguma angústia, quer por falta de produções novas com qualidade suficiente para constituirem êxitos de vendas, quer pelo acesso rápido, e muitas vezes gratuito, a "downloads" através da net.
Em tempos de crise, o supérfluo arrisca-se a sê-lo cada vez mais.
Locations of visitors to this page