quarta-feira, 17 de junho de 2009

Ontem ouvi (10)


Ramon Vinay é considerado, por muitos, o melhor “Otello”.
E ainda que estas classificações dependam sempre do gosto pessoal, é indiscutível que, se não é o melhor, está entre os melhores.
E quando Vinay interpreta o papel acompanhado por Tebaldi e Gino Bechi, em 1952, numa célebre récita em Nápoles, o resultado só podia ser memorável.
É uma gravação ao vivo, com as naturais e habituais deficiências, mas quase nos esquecemos delas, perante a qualidade das vozes, o cunho interpretativo, o simbolismo histórico, a possibilidade de, 57 anos volvidos, ter oportunidade de ouvir estes cantores de excepção.
Gabriele Santini dirige a Orquestra e Coro do “S.Carlo” de Nápoles.

sábado, 13 de junho de 2009

Coros de Ópera (8)

"Coro dos Peregrinos"
"Tannhauser"
Wagner.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Ópera Portuguesa


É raro.
Uma gravação de uma ópera portuguesa, com cantores portugueses.
Porque é raro, saúda-se.
“Le Donne Cambiate” é uma excelente oportunidade para ouvir Ana Paula Russo, Ana Ferraz, Jorge Vaz de Carvalho, Luís Rodrigues, Alberto Lobo da Silva e Nuno de Villalonga, em interpretações de excelente nível, regidos pelo Maestro Álvaro Cassuto à frente da “City of London Sinfonia”.
A ópera é de Marcos Portugal (1762-1830), e a gravação é de 2000.
Curiosamente, comprei-a há anos em Londres, e não sei se estará disponível em Portugal…triste ironia.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Don Giovanni

Em Fevereiro de 1999, escrevia o Maestro José Atalaya:

“Já há muito que melómanos e profissionais exigiam aquilo que brilhou com força na última representação do “D.Giovanni” – a capacidade de produzir, com qualidade digna de ser ouvida em qualquer teatro da Europa (ou dos Estados Unidos), uma obra-prima do teatro lírico (neste caso um autor tão genial e complexo como Mozart) com um elenco confiado nas máximas figuras a cantores portugueses”…

…”estão de parabéns Sílvia Mateus (que voz, que saber!), um José Fardilha em constante “crescendo” (ambos aplaudidos em cena aberta!), Ana Ferraz, “Zerlina” saborosíssima, em contraponto com aflições de um engraçado “Masetto” (Luís Rodrigues), Elisabeth Matos (grande revelação) e os habituais primores da presença vocal e histriónica de Vaz de Carvalho, no desempenho do protagonista”.

Passou uma década.
E perante novo “Don Giovanni” no São Carlos, onde a única presença portuguesa é Carla Caramujo em “Donna Anna”, questiono se houve progresso…ou bem pelo contrário…

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Thomas Hampson


Soberbo.
Thomas Hampson “explicou” a razão, se é que precisava, pela qual é considerado um dos grandes barítonos da Ópera.
Voz segura, perfeita adequação a cada tema, demonstrando uma capacidade de representação notável.
E ainda um pequeno (grande) pormenor: pedir desculpa por ter cancelado um recital há tempos atrás….revela a humildade de um grande cantor.
E Senhor.

A temporada de Canto na Gulbenkian fechou com “chave de ouro”.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Foi pena!


Recital de Susan Graham.
Malcolm Martineau no piano.
“A mélodie française no virar do século”.
Bizet, Fauré, Gounod, Lalo, Saint-Saens, Chabrier, Debussy, Ravel. E outros.

Ou seja, grande expectativa.

Grande Auditório da Gulbenkian muito bem composto, o que raramente tem acontecido ao longo da temporada.

Susan Graham não esteve ao seu melhor nível.
Algumas falhas bem perceptíveis, e indisfarçáveis, teriam sido suficientes para uma pateada, se de outra qualquer cantora se tratasse. Mas Graham é reconhecida como um excepcional “mezzo”, interpreta com grande capacidade cénica, irradia simpatia.
Problemas evidentes com a garganta, talvez porque Lisboa não esteja com a temperatura que é habitual em Maio.
Mesmo assim, bem em grande parte do espectáculo.
Quem não falhou uma nota foi Martineau, que a assistência já conhece há muito tempo, e que não deixou os seus créditos, e muitos são, em mãos alheias. Um grande pianista!
E o programa foi excelentemente seleccionado.

Esperamos pela próxima oportunidade de ver Susan Graham em plena capacidade.
O que não aconteceu desta vez.
Os aplausos foram mais para a carreira, não para o espectáculo em si.
Na minha opinião.

domingo, 24 de maio de 2009

Carlos Fonseca


Nunca mais ouvi falar dele, mas lembro-me bem de o ver e ouvir em S.Carlos e de me dizerem que era um dos bons “baixos” portugueses, a par de Álvaro Malta.
E, embora garoto, gostava daquela voz de baixo quase “profondo”, a lembrar aquela que mais tarde “descobri” em gravações, a do fantástico Tancredi Pasero.
Carlos Fonseca nasceu em Lagos, em 1930.
Muito novo ingressou no coro de S.Carlos, mas é no início dos anos 60 que integra a saudosa “Companhia Portuguesa de Ópera”, e aí inicia uma brilhante carreira, notabilizando-se nos anos seguintes em “D.Basilio” do “Barbeiro de Sevilha” e”Colline” da “Bohème”. Ainda hoje alguns recordarão igualmente o seu “Sparafucile” do “Rigoletto”.
Mas seria só em 1967 que teria oportunidade de um papel principal, no “Don Pasquale”, com Zuleica Saque, Armando Guerreiro e Hugo Casaes.
No “Actualidades” de 13 de Maio desse ano, escrevia Judith Lupi Freire:

“Carlos Fonseca apresentou-se pela primeira vez num papel principal e de muita dificuldade vocal e cénica. E a sua estreia foi espectacular: que densidade e que inflexão de voz! Que segurança e exactidão nos movimentos! Que detalhes vocais e cénicos tão psicológicos e sugestivos! Portou-se como um artista completo e isto numa estreia é excepcional!”

E assim continuou.
Na década de 70 fez parte da esmagadora maioria dos elencos de S.Carlos, sempre seguro e profissional.
Deixou de cantar em 1983.


(Fonte : Mário Moreau, “Cantores de Ópera Portugueses”, Terceiro Volume.)
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