quinta-feira, 4 de junho de 2009

Don Giovanni

Em Fevereiro de 1999, escrevia o Maestro José Atalaya:

“Já há muito que melómanos e profissionais exigiam aquilo que brilhou com força na última representação do “D.Giovanni” – a capacidade de produzir, com qualidade digna de ser ouvida em qualquer teatro da Europa (ou dos Estados Unidos), uma obra-prima do teatro lírico (neste caso um autor tão genial e complexo como Mozart) com um elenco confiado nas máximas figuras a cantores portugueses”…

…”estão de parabéns Sílvia Mateus (que voz, que saber!), um José Fardilha em constante “crescendo” (ambos aplaudidos em cena aberta!), Ana Ferraz, “Zerlina” saborosíssima, em contraponto com aflições de um engraçado “Masetto” (Luís Rodrigues), Elisabeth Matos (grande revelação) e os habituais primores da presença vocal e histriónica de Vaz de Carvalho, no desempenho do protagonista”.

Passou uma década.
E perante novo “Don Giovanni” no São Carlos, onde a única presença portuguesa é Carla Caramujo em “Donna Anna”, questiono se houve progresso…ou bem pelo contrário…

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Thomas Hampson


Soberbo.
Thomas Hampson “explicou” a razão, se é que precisava, pela qual é considerado um dos grandes barítonos da Ópera.
Voz segura, perfeita adequação a cada tema, demonstrando uma capacidade de representação notável.
E ainda um pequeno (grande) pormenor: pedir desculpa por ter cancelado um recital há tempos atrás….revela a humildade de um grande cantor.
E Senhor.

A temporada de Canto na Gulbenkian fechou com “chave de ouro”.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Foi pena!


Recital de Susan Graham.
Malcolm Martineau no piano.
“A mélodie française no virar do século”.
Bizet, Fauré, Gounod, Lalo, Saint-Saens, Chabrier, Debussy, Ravel. E outros.

Ou seja, grande expectativa.

Grande Auditório da Gulbenkian muito bem composto, o que raramente tem acontecido ao longo da temporada.

Susan Graham não esteve ao seu melhor nível.
Algumas falhas bem perceptíveis, e indisfarçáveis, teriam sido suficientes para uma pateada, se de outra qualquer cantora se tratasse. Mas Graham é reconhecida como um excepcional “mezzo”, interpreta com grande capacidade cénica, irradia simpatia.
Problemas evidentes com a garganta, talvez porque Lisboa não esteja com a temperatura que é habitual em Maio.
Mesmo assim, bem em grande parte do espectáculo.
Quem não falhou uma nota foi Martineau, que a assistência já conhece há muito tempo, e que não deixou os seus créditos, e muitos são, em mãos alheias. Um grande pianista!
E o programa foi excelentemente seleccionado.

Esperamos pela próxima oportunidade de ver Susan Graham em plena capacidade.
O que não aconteceu desta vez.
Os aplausos foram mais para a carreira, não para o espectáculo em si.
Na minha opinião.

domingo, 24 de maio de 2009

Carlos Fonseca


Nunca mais ouvi falar dele, mas lembro-me bem de o ver e ouvir em S.Carlos e de me dizerem que era um dos bons “baixos” portugueses, a par de Álvaro Malta.
E, embora garoto, gostava daquela voz de baixo quase “profondo”, a lembrar aquela que mais tarde “descobri” em gravações, a do fantástico Tancredi Pasero.
Carlos Fonseca nasceu em Lagos, em 1930.
Muito novo ingressou no coro de S.Carlos, mas é no início dos anos 60 que integra a saudosa “Companhia Portuguesa de Ópera”, e aí inicia uma brilhante carreira, notabilizando-se nos anos seguintes em “D.Basilio” do “Barbeiro de Sevilha” e”Colline” da “Bohème”. Ainda hoje alguns recordarão igualmente o seu “Sparafucile” do “Rigoletto”.
Mas seria só em 1967 que teria oportunidade de um papel principal, no “Don Pasquale”, com Zuleica Saque, Armando Guerreiro e Hugo Casaes.
No “Actualidades” de 13 de Maio desse ano, escrevia Judith Lupi Freire:

“Carlos Fonseca apresentou-se pela primeira vez num papel principal e de muita dificuldade vocal e cénica. E a sua estreia foi espectacular: que densidade e que inflexão de voz! Que segurança e exactidão nos movimentos! Que detalhes vocais e cénicos tão psicológicos e sugestivos! Portou-se como um artista completo e isto numa estreia é excepcional!”

E assim continuou.
Na década de 70 fez parte da esmagadora maioria dos elencos de S.Carlos, sempre seguro e profissional.
Deixou de cantar em 1983.


(Fonte : Mário Moreau, “Cantores de Ópera Portugueses”, Terceiro Volume.)

terça-feira, 19 de maio de 2009

Olga Borodina



O Grande Auditório da Gulbenkian estava com boa assistência, talvez a melhor da temporada, até agora (vêm aí Susan Graham e depois Thomas Hampson…).
Olga Borodina, habituada a qualquer ambiente, não é muito simpática em palco. Sorri pouco ou nada, mesmo quando delirantemente ovacionada, e percebe-se que é uma profissional que cumpre o seu dever. Apenas.
Só que…tem uma voz portentosa.
E ainda que com resquícios de uma gripe, conquistou por completo os espectadores, com interpretações fabulosas de Tchaikovsky e Rachmaninov, acompanhada excelentemente ao piano por Dmitri Yefimov.
Valeu a pena suportar dois adiamentos deste recital, anunciado para 15 de Abril.
Borodina é um mezzo seguro, conhecedor, maduro.
Uma grande figura da Ópera.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Parabéns, Simionato!


A grande Giulietta Simionato fez anos no dia 12.
Com uma “pequena” curiosidade…completou 99 anos.
Quase um século!
Simionato foi o “mezzo” da sua geração, anos 40 e 50, época de ouro da Ópera, cantando ao lado de Callas, Tebaldi, Gobbi, Bastianini, Del Monaco, Corelli e tantos outros.
Aqui fica um modesto “parabéns a você”, esperando que para o ano possamos celebrar o centenário desta “lenda viva”.


sábado, 9 de maio de 2009

O adeus de Carreras


Sem a voz de Pavarotti, e o talento e voz de Domingo, Carreras foi, realmente, o “terceiro” tenor da sua geração.
Sem que tal facto seja depreciativo, porque ocupar essa posição atrás daqueles dois “monstros sagrados”, não é para qualquer um, e tenores sempre houve muitos.
Carreras, com 62 anos, anunciou agora o fim da sua gloriosa carreira, pelo menos em ópera, dado que continuará a fazer alguns recitais. E pasme-se, a média de concertos que o tenor faz anualmente é de 50!

Jose Carreras ficará na História da Ópera, e sempre nas nossas discotecas.
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