Por volta de 1870, na Calabria, um homem, palhaço de profissão, era julgado por ter morto a mulher.“Está arrependido?”- perguntou o juiz, antes da sentença.
“Não estou arrependido de nada. Se tivesse de o fazer outra vez, fá-lo-ia.”
A assistir ao julgamento, estava o jovem filho do juiz. Chamava-se Ruggiero Leoncavallo (foto de cima). E vinte anos depois deste julgamento, o jovem era um compositor frustrado e sem sucesso, o que naturalmente o desgostava. Até porque um outro compositor, bem mais novo do que ele, acabara de escrever uma pequena ópera, em apenas um acto, que se tornara um êxito internacional. A ópera chamava-se “Cavalleria Rusticana” e o autor era Pietro Mascagni (foto de baixo).
Um dia, Leoncavallo fechou-se no seu quarto e, recordando o julgamento a que assistira, começou a escrever “Os Palhaços”, compondo a música em simultâneo. Demorou cinco meses.
Estreou em Milão, no Teatro dal Verma, em Maio de 1892, sob a batuta de um jovem maestro de 25 anos, Arturo Toscanini. Foi um sucesso estrondoso.
E seria exactamente Toscanini quem juntaria pela primeira vez a “Cavalleria” e “Os Palhaços”, em Roma. Logo se verificou que as duas óperas “encaixavam” como as peças de um puzzle. São as chamadas “óperas gémeas” desde então, sendo difícil encontrar a produção de uma, sem que a outra a acompanhe.
“Cav and Pag”, como os ingleses ainda hoje lhes chamam, catapultaram os seus autores para a fama internacional. E embora muitos críticos considerem que não são as suas melhores óperas, a verdade é que sem elas poucos conheceriam Leoncavallo e Mascagni.









