
Antes desta, “O Barbeiro de Sevilha” fora um sucesso, e todos haviam identificado Fígaro com o próprio Beaumarchais. Mas nas “Bodas”, o escritor ousa mais, ridicularizando a nobreza e colocando em discussão o chamado “direito do senhor”, que consistia no privilégio de qualquer nobre passar com a noiva, a primeira noite após o casamento de uma serva.
Crítico e rebelde, Beaumarchais arriscava, não se importando com as consequências.
Em Viena, Lorenzo Da Ponte era o poeta que trabalhava com Salieri.
E será bom não esquecer que a vida amorosa de Da Ponte está repleta de casos pitorescos, que o levaram, por exemplo, a fugir de Itália em 1779, por ter sido condenado em Veneza, por adultério e concubinagem…
E Mozart chegara igualmente a Viena, depois de ter sido despedido pelo arcebispo de Salzburgo, cansado das “loucuras” do Génio.
Da Ponte admirava Mozart, e pediu-lhe se podia escrever um “libretto” para ele.
Mozart acedeu, mas disse-lhe para adaptar a peça de Beaumarchais, que já conhecia. Assim, enquanto um trabalhava no “libretto”, Mozart compunha a música.
“As Bodas de Figaro” foram novidade no mundo da ópera, muito mais complexa do que qualquer outra até aí estreada. O êxito foi muito maior em Praga do que em Viena, porque a educação musical era incomparavelmente maior em Praga. Mal sabiam que esta seria apenas a primeira de muitas óperas absolutamente extraordinárias que o génio de Mozart deixaria à Humanidade.
Da Ponte e Mozart imortalizaram Beaumarchais, ou seja, o próprio Fígaro.







