Há casos assim, mas no meio lírico português, onde os verdadeiros talentos não abundam, causa estranheza e mesmo perplexidade não se saber, com exactidão, o que aconteceu a uma das melhoras cantoras.
Refiro-me a Carla Basto, soprano.
Nascida em 1955, recebe de Gino Bechi as primeiras lições, estreando-se em 1972 na “Papagena” da “A Flauta Mágica”, no saudoso palco do Trindade.
No ano seguinte canta a “Sophie” do “Werther”, e marcaria presença em muitas óperas nas temporadas seguintes.
Quando a Companhia Portuguesa de Ópera se extingue, Carla Basto parte para Milão, onde se inscreve no Conservatório de Vercelli. A sua estreia em palcos italianos acontece em 1977, na “Musetta” de “La Bohème”.
Um espectáculo na RAI abriu-lhe então outras “portas”, e em 1979 a cantora portuguesa actua na Colômbia, e depois em São Paulo, Barcelona, Klagenfurt, Rio de Janeiro e França. Em 1981 está em Dublin, como protagonista da “Lucia”, e no fim desse ano no Peru, com Luigi Alva no “Barbeiro de Sevilha”. E daí parte para as Canárias, onde canta, com Alfredo Kraus, “Os Contos de Hoffmann”.
Só volta a Portugal em 1986, onde cantou, em S.Carlos, “O Rapto do Serralho”.
Depois…desapareceu….
Quantas cantoras portuguesas têm uma carreira com esta qualidade?
No entanto, ninguém sabe quem é Carla Basto, onde está, se ainda canta….
Só em países com grande riqueza de talentos é possível um caso destes….
Sabemos da existência de uma gravação da “Missa” de Catalani, feita em 1985, e nada mais.
Fonte: Cantores de Ópera Portugueses”, de Mário Moreau, Vol. III