sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Curiosidades (4)



Hoje em dia, estes nomes são apenas recordados, através de algumas gravações, pelos fanáticos da ópera, mas no seu tempo, eram as grandes figuras.
Em Salzburgo preparava-se uma produção de “Don Giovanni” que, no entender dos organizadores, seria a melhor alguma vez realizada, dado o naipe de cantores que reuniria.
John McCormack, Lilli Lehmann, Geraldine Farrar, Johanna Gadski, António Scotti e Feodor Chaliapin, sob a direcção musical de Karl Muck, à frente da Filarmónica de Viena. Só!
Estávamos em 1914.
Mas a Grande Guerra começou nesse dia, levando ao cancelamento.


(Nas fotografias, Farrar e Chaliapin.)

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Óperas pouco ouvidas (5)



Continuador de Monteverdi, Francesco Cavalli (1602-1676) foi um dos que mantiveram a supremacia da ópera de Veneza, após o desaparecimento do Mestre.
Compôs muita música religiosa, a qual não chegou aos nossos dias, contrariamente às mais de 40 óperas de sua autoria, das quais há registo, representadas sobretudo no Teatro San Cassiano.
Diria que a única ópera de Cavalli que mereceu alguma atenção no século XX, foi “La Calisto” (Prólogo e 2 actos), estreada em 1651.
Deusas e ninfas na Grécia Antiga, rodeadas pela Natureza, o Destino e a Eternidade, numa ópera cuja espiritualidade é indiscutível, mas provavelmente também a base justificativa pela qual Cavalli é hoje praticamente ignorado, dado que as audiências preferem entretenimento mais “fácil”.
Apenas tenho conhecimento de uma gravação que junta Ileana Cotrubas e Janet Baker, feita no festival de Glyndebourne nos anos 60.
Ei-las:


quarta-feira, 23 de julho de 2008

Óperas pouco ouvidas (4)

“The Bartered Bride”, ou em tradução portuguesa “A Noiva Vendida”, é sem dúvida a ópera mais conhecida de Smetana (1824-1884), que podemos considerar o criador da ópera checa.
Smetana foi um menino-prodígio, dando o seu primeiro concerto público de piano com 8 anos. Muito apoiado por Liszt, foi mestre de música de famílias nobres, professor em Gotemburgo, cidade onde regeu durante anos a Orquestra Filarmónica local, fundador de escolas de música tradicional no seu país, tendo composto as primeiras obras levadas à cena no Teatro Nacional Checo, a partir de 1864.
“The Bartered Bride” tornou-se um sucesso internacional, apesar de estar repleta de melodias e danças tradicionais checas. Ainda que dependendo do conhecimento da língua original para uma total compreensão, este tipo de óperas tem naturalmente dificuldade em impor-se no estrangeiro. Mas esta ópera, em concreto, foi a única de Smetana que conseguiu esse reconhecimento fora das fronteiras.
Curiosamente, aquando da sua estreia, em 1866, em Praga, foi muito criticada por parecer muito “Wagneriana” e fugir à tradição checa.
Há uma gravação “clássica”, com Pilar Lorengar e Fritz Wunderlich, não muito fácil de encontrar. Mas há uma outra, talvez não tão rara, com Gabriela Benackova e Peter Dvorsky, de muito bom nível.
Vamos ver e ouvir a “Abertura”, uma das partes mais conhecidas.


quinta-feira, 17 de julho de 2008

Óperas pouco ouvidas (3)


Quando Caruso fez da ária “M’appari” um sucesso estrondoso, poucos acreditariam que a ópera, em quatro actos, “Martha”, de Friedrich Von Flotow, acabaria praticamente esquecida do grande público, ou mesmo dos apaixonados pela arte lírica.
Flotow (1812-1883) não foi, na verdade, um grande compositor, embora tenha escrito dezenas de peças musicais, de fama efémera.
“Martha” é, apesar de tudo, a sua obra mais importante, tendo sido estreada em Hamburgo em 1844. E curiosamente, a célebre ária não fazia parte da partitura original, tendo sido acrescentada para uma representação da ópera em Paris, em 1865.
Os mais atentos lembrar-se-ão que Alfredo Kraus, na interpretação desta ária, “ressuscitou” a espaços a atenção para “Martha”.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Óperas pouco ouvidas (2)

Estreada em Paris em 1900, “Louise” é talvez a única ópera que o seu compositor, Gustave Charpentier (1860-1956), conseguiu passar à posteridade.
E se muitos consideram que a verdadeira heroína desta ópera é a cidade de Paris e não propriamente Louise, a verdade é que todos conhecem a célebre ária “Depuis le jour” cantada pela personagem principal.
O enredo, simples, trata de uma história de amor entre Louise e Julien, contrariado pela mãe de Louise, que não quer que a filha case com um artista.
Há duas gravações de referência, uma com Ileana Cotrubas, Placido Domingo, Jane Berbié e Gabriel Bacquier, e outra com Beverly Sills, Nicolai Gedda, Mignon Dunn e Jose Van Dam.
Prefiro a primeira.
Vamos ver e ouvir Renée Fleming exactamente em “Depuis le jour”. Excelente.


terça-feira, 8 de julho de 2008

Óperas pouco ouvidas (1)


Muitos classificam-na como a ópera húngara mais importante do século XX.
“O Castelo do Barba-Azul”, de Bartok.
Ópera em 1 acto, estreou-se em Budapeste em 1918, e só muitos anos depois em Berlim (1929), Nova York (1952) e Londres (1954).
Notam-se influências claras de “Lohengrin”, no carácter reservado do protagonista, escondendo a sua vida privada, não querendo mostrá-la. Também Bartok protegia a sua intimidade, e consta que se terá inspirado num amor não correspondido para compor esta Ópera.
Um soprano e um baixo apenas, numa ópera em que o som tradicional húngaro aparece quase espontaneamente.
Há três gravações de referência : Christa Ludwig com Walter Berry, Troyanos com Siegmund Nimsgern e Eva Marton com Samuel Ramey.
Pessoalmente, entendo que nenhuma iguala a primeira, mas no mercado só se encontra a última, com facilidade.
Recomendo.
Neste clip vamos ter Sylvia Sass e Kováts, dirigidos por Solti.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Carla Basto

Há casos assim, mas no meio lírico português, onde os verdadeiros talentos não abundam, causa estranheza e mesmo perplexidade não se saber, com exactidão, o que aconteceu a uma das melhoras cantoras.
Refiro-me a Carla Basto, soprano.
Nascida em 1955, recebe de Gino Bechi as primeiras lições, estreando-se em 1972 na “Papagena” da “A Flauta Mágica”, no saudoso palco do Trindade.
No ano seguinte canta a “Sophie” do “Werther”, e marcaria presença em muitas óperas nas temporadas seguintes.
Quando a Companhia Portuguesa de Ópera se extingue, Carla Basto parte para Milão, onde se inscreve no Conservatório de Vercelli. A sua estreia em palcos italianos acontece em 1977, na “Musetta” de “La Bohème”.
Um espectáculo na RAI abriu-lhe então outras “portas”, e em 1979 a cantora portuguesa actua na Colômbia, e depois em São Paulo, Barcelona, Klagenfurt, Rio de Janeiro e França. Em 1981 está em Dublin, como protagonista da “Lucia”, e no fim desse ano no Peru, com Luigi Alva no “Barbeiro de Sevilha”. E daí parte para as Canárias, onde canta, com Alfredo Kraus, “Os Contos de Hoffmann”.
Só volta a Portugal em 1986, onde cantou, em S.Carlos, “O Rapto do Serralho”.
Depois…desapareceu….
Quantas cantoras portuguesas têm uma carreira com esta qualidade?
No entanto, ninguém sabe quem é Carla Basto, onde está, se ainda canta….
Só em países com grande riqueza de talentos é possível um caso destes….
Sabemos da existência de uma gravação da “Missa” de Catalani, feita em 1985, e nada mais.


Fonte: Cantores de Ópera Portugueses”, de Mário Moreau, Vol. III
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