terça-feira, 8 de julho de 2008

Óperas pouco ouvidas (1)


Muitos classificam-na como a ópera húngara mais importante do século XX.
“O Castelo do Barba-Azul”, de Bartok.
Ópera em 1 acto, estreou-se em Budapeste em 1918, e só muitos anos depois em Berlim (1929), Nova York (1952) e Londres (1954).
Notam-se influências claras de “Lohengrin”, no carácter reservado do protagonista, escondendo a sua vida privada, não querendo mostrá-la. Também Bartok protegia a sua intimidade, e consta que se terá inspirado num amor não correspondido para compor esta Ópera.
Um soprano e um baixo apenas, numa ópera em que o som tradicional húngaro aparece quase espontaneamente.
Há três gravações de referência : Christa Ludwig com Walter Berry, Troyanos com Siegmund Nimsgern e Eva Marton com Samuel Ramey.
Pessoalmente, entendo que nenhuma iguala a primeira, mas no mercado só se encontra a última, com facilidade.
Recomendo.
Neste clip vamos ter Sylvia Sass e Kováts, dirigidos por Solti.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Carla Basto

Há casos assim, mas no meio lírico português, onde os verdadeiros talentos não abundam, causa estranheza e mesmo perplexidade não se saber, com exactidão, o que aconteceu a uma das melhoras cantoras.
Refiro-me a Carla Basto, soprano.
Nascida em 1955, recebe de Gino Bechi as primeiras lições, estreando-se em 1972 na “Papagena” da “A Flauta Mágica”, no saudoso palco do Trindade.
No ano seguinte canta a “Sophie” do “Werther”, e marcaria presença em muitas óperas nas temporadas seguintes.
Quando a Companhia Portuguesa de Ópera se extingue, Carla Basto parte para Milão, onde se inscreve no Conservatório de Vercelli. A sua estreia em palcos italianos acontece em 1977, na “Musetta” de “La Bohème”.
Um espectáculo na RAI abriu-lhe então outras “portas”, e em 1979 a cantora portuguesa actua na Colômbia, e depois em São Paulo, Barcelona, Klagenfurt, Rio de Janeiro e França. Em 1981 está em Dublin, como protagonista da “Lucia”, e no fim desse ano no Peru, com Luigi Alva no “Barbeiro de Sevilha”. E daí parte para as Canárias, onde canta, com Alfredo Kraus, “Os Contos de Hoffmann”.
Só volta a Portugal em 1986, onde cantou, em S.Carlos, “O Rapto do Serralho”.
Depois…desapareceu….
Quantas cantoras portuguesas têm uma carreira com esta qualidade?
No entanto, ninguém sabe quem é Carla Basto, onde está, se ainda canta….
Só em países com grande riqueza de talentos é possível um caso destes….
Sabemos da existência de uma gravação da “Missa” de Catalani, feita em 1985, e nada mais.


Fonte: Cantores de Ópera Portugueses”, de Mário Moreau, Vol. III

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Encenações

A questão das encenações “novas” de óperas clássicas está na ordem do dia.
Os mais conservadores e tradicionalistas quase desmaiam de susto nas cadeiras, enquanto uma vanguarda aberta à novidade aplaude, exuberante.



Eu sei que tudo evolui. Que os adereços têm custos exorbitantes.
E que a ópera, como outros espectáculos, precisa de atrair novos públicos, de gerações recentes, pois sem público não há receitas e sem estas não há encenações, novas ou velhas.
O festival de Salzburgo, um marco na história lírica, abriu decididamente as portas a estas encenações a partir de 2006, merecendo críticas acérrimas por parte de muitos colunistas que escrevem nas revistas da especialidade.
Bayreuth parece bem mais reservado a esse tipo de experiências, embora se aguardem novidades para breve…



E se os palcos italianos não aderiram à “moda”, salvo raríssimas excepções, o mesmo não se poderá dizer de Zurique, Amesterdão, Paris e mesmo Covent Garden. E Nos Estados Unidos há exemplos para ambos os lados.

Comparem estas duas fotografias com versões “antiga” e “moderna” da “Manon Lescaut”. Bem elucidativas.

Creio que, feliz ou infelizmente, a tendência é para a generalização do “moderno”.

Feliz ou infelizmente?

sábado, 21 de junho de 2008

Sena Jurinac

Sena Jurinac nasceu em 1921, na Bósnia.
Um dos grandes sopranos do pós-Guerra, estreou-se em 1942, em Zagreb, com a “Mimi” de “La Bohème”. Em 1944 é contratada pela Ópera de Viena, mas devido ao conflito mundial só dois anos depois ali faz o “Cherubino”.
Essa ligação à ópera da capital austríaca durou perto de quatro décadas, e nela Jurinac fez parte de uma plêiade de cantores excepcionais, bastando nomear Irmgard Seefried, Elisabeth Schwarkopf, Christa Ludwig, Lisa della Casa e Anton Dermota, entre outros. Uma geração de ouro.
Estreia-se em Salzburgo em 1947, e canta em todos os grandes palcos europeus nos anos 50, sendo presença assídua em Covent Garden, até 1963.
Mas é na “sua” Ópera de Viena que se despede dos palcos e do público em 1983, no papel de “Marschallin”.
Mozart e Richard Strauss ocupam grande parte da sua discografia, onde Verdi surge apenas uma vez (Don Carlo) tal como Wagner (Anel).
Um grande soprano, muitas vezes esquecido.
Injustamente.
Vamos vê-la e ouvi-la na célebre ária da “Carta” de “Eugene Onegin”, de Tchaikovsky.


quarta-feira, 18 de junho de 2008

Leyla Gencer

Se Callas é “La Divina”e Sutherland “La Stupenda”, Leyla Gencer é “La Regina”.
Não tendo a projecção das duas “deusas”, este soprano turco, que construiu a sua carreira em Itália, principalmente nas décadas de 50 e 60, bem merece o epíteto, pois a sua belíssima voz notabilizou-se, principalmente em óperas de Donizetti.
Estreou-se em 1950 na “Santuzza” da “Cavalleria” em Ankara, e também em Itália, onde cantou o mesmo papel em 1953, no San Carlo de Nápoles. Mas é no La Scala que fará grande parte do seu trabalho, pois lá cantou desde 1957 até 1983. Mais de vinte e cinco anos no primeiro plano lírico. Espantoso.
Pensa-se em Gencer e de imediato associamos Donizetti: Anna Bolena, Lucrezia Borgia, Belisario, Poliuto.
Quando deixou de cantar, tornou-se Directora artística da escola de Canto do La Scala, onde fez um trabalho magnífico.
O que se estranha é que tenha poucas gravações. Na verdade, para além das óperas de Donizetti, fundamentais, apenas podemos encontrar a sua voz em óperas de Bellini e Verdi. Tudo o resto são gravações episódicas.

Leyla Gencer (1928-2008).

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Que saudades....




Há pouco mais de 20 anos....

S.Carlos era, ainda, um excelente palco de ópera, integrando nomes sonantes nos seus elencos, e não caindo na tentação de gastar milhares com óperas como as de Emanuel Nunes...cujo resultado foi catastrófico.



Como podem verificar, a par de estrelas internacionais, como Mara Zampieri, Fedora Barbieri, ou Ileana Cotrubas, todos os melhores cantores portugueses estavam contratados, como seria natural, lógico e coerente...

E só passaram 20 anos...

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Elsa Saque


Estreou-se como “Pastor” na “Tosca”, no Teatro da Trindade.
E aí começou uma brilhante carreira de soprano, com um nível internacional.
Elsa Saque.
Bolseira do Instituto de Alta Cultura, por proposta do grande Gino Bechi, estuda durante dois anos em Palermo, onde actua por diversas vezes, demonstrando as suas altas qualidades.
“A pureza de estilo, a musicalidade impecável e uma expressividade do melhor gosto são predicados que distinguem esta jovem cantora”, escrevia em 1971 a saudosa Maria Helena de Freitas.
Cantou ao lado dos maiores intérpretes, merecendo sempre o aplauso da crítica e do público, que sempre lhe manifestou o apreço que lhe dedica.
S.Carlos e Trindade, mas também Coliseu são palcos que pisou em muitas noites de glória.
Grava pouco, como acontece com todos os cantores líricos portugueses, mas selecciona criteriosamente o seu reportório.
Fundadora da Ópera de Câmara do Real Teatro de Queluz, Elsa Saque canta por todo o país, mas infelizmente a nossa televisão há mais de uma década que não transmite qualquer um dos seus concertos.
Como é norma….

Fonte : “Cantores de Ópera Portugueses”, de Mário Moreau.
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