sábado, 21 de junho de 2008

Sena Jurinac

Sena Jurinac nasceu em 1921, na Bósnia.
Um dos grandes sopranos do pós-Guerra, estreou-se em 1942, em Zagreb, com a “Mimi” de “La Bohème”. Em 1944 é contratada pela Ópera de Viena, mas devido ao conflito mundial só dois anos depois ali faz o “Cherubino”.
Essa ligação à ópera da capital austríaca durou perto de quatro décadas, e nela Jurinac fez parte de uma plêiade de cantores excepcionais, bastando nomear Irmgard Seefried, Elisabeth Schwarkopf, Christa Ludwig, Lisa della Casa e Anton Dermota, entre outros. Uma geração de ouro.
Estreia-se em Salzburgo em 1947, e canta em todos os grandes palcos europeus nos anos 50, sendo presença assídua em Covent Garden, até 1963.
Mas é na “sua” Ópera de Viena que se despede dos palcos e do público em 1983, no papel de “Marschallin”.
Mozart e Richard Strauss ocupam grande parte da sua discografia, onde Verdi surge apenas uma vez (Don Carlo) tal como Wagner (Anel).
Um grande soprano, muitas vezes esquecido.
Injustamente.
Vamos vê-la e ouvi-la na célebre ária da “Carta” de “Eugene Onegin”, de Tchaikovsky.


quarta-feira, 18 de junho de 2008

Leyla Gencer

Se Callas é “La Divina”e Sutherland “La Stupenda”, Leyla Gencer é “La Regina”.
Não tendo a projecção das duas “deusas”, este soprano turco, que construiu a sua carreira em Itália, principalmente nas décadas de 50 e 60, bem merece o epíteto, pois a sua belíssima voz notabilizou-se, principalmente em óperas de Donizetti.
Estreou-se em 1950 na “Santuzza” da “Cavalleria” em Ankara, e também em Itália, onde cantou o mesmo papel em 1953, no San Carlo de Nápoles. Mas é no La Scala que fará grande parte do seu trabalho, pois lá cantou desde 1957 até 1983. Mais de vinte e cinco anos no primeiro plano lírico. Espantoso.
Pensa-se em Gencer e de imediato associamos Donizetti: Anna Bolena, Lucrezia Borgia, Belisario, Poliuto.
Quando deixou de cantar, tornou-se Directora artística da escola de Canto do La Scala, onde fez um trabalho magnífico.
O que se estranha é que tenha poucas gravações. Na verdade, para além das óperas de Donizetti, fundamentais, apenas podemos encontrar a sua voz em óperas de Bellini e Verdi. Tudo o resto são gravações episódicas.

Leyla Gencer (1928-2008).

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Que saudades....




Há pouco mais de 20 anos....

S.Carlos era, ainda, um excelente palco de ópera, integrando nomes sonantes nos seus elencos, e não caindo na tentação de gastar milhares com óperas como as de Emanuel Nunes...cujo resultado foi catastrófico.



Como podem verificar, a par de estrelas internacionais, como Mara Zampieri, Fedora Barbieri, ou Ileana Cotrubas, todos os melhores cantores portugueses estavam contratados, como seria natural, lógico e coerente...

E só passaram 20 anos...

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Elsa Saque


Estreou-se como “Pastor” na “Tosca”, no Teatro da Trindade.
E aí começou uma brilhante carreira de soprano, com um nível internacional.
Elsa Saque.
Bolseira do Instituto de Alta Cultura, por proposta do grande Gino Bechi, estuda durante dois anos em Palermo, onde actua por diversas vezes, demonstrando as suas altas qualidades.
“A pureza de estilo, a musicalidade impecável e uma expressividade do melhor gosto são predicados que distinguem esta jovem cantora”, escrevia em 1971 a saudosa Maria Helena de Freitas.
Cantou ao lado dos maiores intérpretes, merecendo sempre o aplauso da crítica e do público, que sempre lhe manifestou o apreço que lhe dedica.
S.Carlos e Trindade, mas também Coliseu são palcos que pisou em muitas noites de glória.
Grava pouco, como acontece com todos os cantores líricos portugueses, mas selecciona criteriosamente o seu reportório.
Fundadora da Ópera de Câmara do Real Teatro de Queluz, Elsa Saque canta por todo o país, mas infelizmente a nossa televisão há mais de uma década que não transmite qualquer um dos seus concertos.
Como é norma….

Fonte : “Cantores de Ópera Portugueses”, de Mário Moreau.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Claudio Abbado


É um apaixonado pela Botânica.
“Refugio-me entre as flores depois do trabalho, para pensar na música”.
E por Goya.
“As pinturas negras, os caprichos, os desastres de guerra, comovem-me”.
E sempre aprendeu com os mais velhos, desde jovem.
Toscanini, Bruno Walter, Furtwangler. Todos o fascinavam.
Um cancro diagnosticado, levou-o a “despedir-se” em Salzburgo com um monumental “Requiem” de Verdi na Páscoa de 2002. Pensou que seria a última obra que regia.
Não foi. Sobreviveu a várias cirurgias e reapareceu.
O “maior” da sua geração, agora com 75 anos, foi regente do Scala, da Filarmónica de Viena, e substituiu Karajan à frente da Filarmónica de Berlim entre 1989 e 2002. Só….

Claudio Abbado.

sábado, 24 de maio de 2008

Números...



3800 lugares, 30 óperas em rotação, 7 récitas por semana, 800 mil bilhetes vendidos por ano, 1500 funcionários, 15 dólares o bilhete mais barato e 175 o mais caro.
Nada recebe do Estado.
Os ensaios gerais são abertos ao público, com almoço grátis, e todas as récitas são transmitidas pela rádio. Para além disso, 8 das produções anuais são transmitidas em directo para mais de 700 cinemas em 70 países.
Há bilhetes especiais para estudantes, uma loja onde é possível comprar tudo o que se relaciona com ópera, e uma Galeria de Arte a causar inveja a muitas outras.

Isto é apenas uma parte do “Metropolitan” de Nova York.
E não é pouco….

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Lorin Maazel



Nasceu em França, mas foi criado nos Estados Unidos.
Menino-prodígio, recebeu a primeira lição de regência aos 7 anos, e estreou-se com 8, sendo convidado aos 11 para dirigir na rádio a Orquestra Sinfónica NBC, e no ano seguinte regeu várias grandes orquestras. Sabiam?
Foi o primeiro americano a reger em Bayreuth (1960).
Uma carreira de muito trabalho e muito sucesso, reconhecida por todos.
Lorin Maazel tem hoje 78 anos, mas não abrandou a sua actividade, tendo ainda bem recentemente dirigido “Madama Butterfly” em Espanha.
Em criança, queria ser matemático ou escritor, mas a música foi o caminho seguido, pois a vocação era inegável.
“Puccini é muito difícil de dirigir e muito fácil de escutar” e “Verdi tem um nível de inspiração único no mundo da música”.
Opiniões do Maestro.
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