A sua principal atracção era o tocante coro dos judeus cativos, que logo na estreia originou a associação de Verdi ao movimento de “Risorgimento”, já então em plena explosão. O “Va Pensiero” seria entoado por milhares de pessoas nas ruas de Milão, no funeral do compositor.
Outro belo coro que foi adoptado pelos patriotas era da ópera “I Lombardi”, e referia-se à primeira visão de Jerusalém dos cruzados italianos.
Hoje, dificilmente se poderá compreender a quantidade de obstáculos postos no caminho de Verdi pelas autoridades governamentais, quer austríacas, como em Milão e Veneza, quer papais, como em Roma, quer ainda napolitanas.
Quando o grande soprano Giuditta Pasta (Bellini compôs “La Sonnambula” e a “Norma” para ela) foi a Londres, em 1833, anunciou que escapara à prisão por muito pouco, quando em Nápoles pronunciou em palco a palavra “libertà”. A censura proibia tudo o que pudesse ser interpretado como ridicularizando ou mostrando aversão pelas autoridades, e por reis ou imperadores de qualquer época; toda a alusão à Igreja era perigosa e o uso de qualquer palavra que pudesse ter ligação com assuntos religiosos era também proibido; todas as representações de conspirações ou conjuras eram radicalmente impossíveis. A tirania que Verdi teve de sofrer era particularmente grave para os poetas que pretendiam criar óperas a partir dos dramas românticos franceses.
“Ernani”, estreada em 1844 em Veneza, marca o primeiro contacto de Verdi com Vítor Hugo, e “Macbeth”, que pela primeira vez foi apresentada em 1847 em Florença, a sua primeira aproximação de Shakespeare.





