quinta-feira, 15 de novembro de 2007

As Óperas de Verdi (2)

A primeira ópera importante de Verdi foi “Nabucco”, estreada em 1842, em Milão.
A sua principal atracção era o tocante coro dos judeus cativos, que logo na estreia originou a associação de Verdi ao movimento de “Risorgimento”, já então em plena explosão. O “Va Pensiero” seria entoado por milhares de pessoas nas ruas de Milão, no funeral do compositor.
Outro belo coro que foi adoptado pelos patriotas era da ópera “I Lombardi”, e referia-se à primeira visão de Jerusalém dos cruzados italianos.
Hoje, dificilmente se poderá compreender a quantidade de obstáculos postos no caminho de Verdi pelas autoridades governamentais, quer austríacas, como em Milão e Veneza, quer papais, como em Roma, quer ainda napolitanas.
Quando o grande soprano Giuditta Pasta (Bellini compôs “La Sonnambula” e a “Norma” para ela) foi a Londres, em 1833, anunciou que escapara à prisão por muito pouco, quando em Nápoles pronunciou em palco a palavra “libertà”. A censura proibia tudo o que pudesse ser interpretado como ridicularizando ou mostrando aversão pelas autoridades, e por reis ou imperadores de qualquer época; toda a alusão à Igreja era perigosa e o uso de qualquer palavra que pudesse ter ligação com assuntos religiosos era também proibido; todas as representações de conspirações ou conjuras eram radicalmente impossíveis. A tirania que Verdi teve de sofrer era particularmente grave para os poetas que pretendiam criar óperas a partir dos dramas românticos franceses.
“Ernani”, estreada em 1844 em Veneza, marca o primeiro contacto de Verdi com Vítor Hugo, e “Macbeth”, que pela primeira vez foi apresentada em 1847 em Florença, a sua primeira aproximação de Shakespeare.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

As Óperas de Verdi (1)

Começou a carreira quando a ópera italiana estava no seu ponto mais baixo; Rossini retirara-se de cena, Bellini morrera e Donizetti fora atingido pela alienação mental.
De início, pouco distinguia o jovem Verdi da multidão de mediocridades cujos nomes e obras estão hoje completamente esquecidos, mesmo em Itália, e o próprio Verdi não pensava senão em escrever óperas que tivessem um êxito popular imediato. Os críticos seus contemporâneos rotularam esses primeiros trabalhos de estilo grosseiro e brutal, bastante apropriado para uma nova geração de cantores de extensas e fortes vozes mas sem requintes ou elegância de técnica, como a que fora característica dos grandes intérpretes de Bellini.
Na sua mocidade, Verdi tivera grande prática da escrita para filarmónicas na sua terra natal, Bussetto, e o estilo de banda é muito evidente em todas as suas primeiras obras. Muitas delas têm mesmo uma verdadeira banda no palco, atrás do cenário, além da orquestra normal, e o que toca é no estilo militar barato do seu tempo, seja qual for a situação dramática ou a época da acção teatral.
A maior sorte de Verdi nos primeiros passos da sua carreira foi terem, de certo modo, associado a sua música com o movimento patriótico que viria a conseguir expulsar os austríacos do território italiano e unir todo o país sob a coroa da Casa de Sabóia.
Pessoalmente, Verdi sempre se declarou completamente fora de toda a política, mas considerando as eternas preocupações que tivera com a censura austríaca a propósito de quase todas as suas primeiras óperas, não é de surpreender que se regozijasse com a oportunidade de estimular a revolução com o ardor impulsivo dos seus trechos. E fê-lo beneficiando em larga medida do seu talento melódico: durante gerações e gerações as suas árias foram as favoritas de todos os realejos. Hoje em dia, em que não há música nas ruas, verifica-se um extraordinário acréscimo de apreço pelas óperas antigas de Verdi, e maestros e empresários dedicam-se à sua reabilitação, mesmo as que, aquando da estreia, foram relativos insucessos.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Richard Wagner



Há muitos, muitos anos, ofereceram-me uma ópera de Wagner.
Eu ainda era jovem, e a ópera italiana preenchia todos os requisitos que julgava necessários para se gostar verdadeiramente de ópera.
Verdi, Puccini, Donizetti, Bellini e Rossini.

Mas…quem me deu aquele presente achava que ia sendo tempo…de conhecer o mestre alemão.
E escolheu “O Ouro do Reno”.
Antes, explicou-me o “Anel” em pormenor, deixando-me um pequeno livro com a história completa, em tradução brasileira, preciosidade que ainda hoje guardo.

Li.
Ouvi a ópera.
E não gostei.

Durante muito tempo, fui trocando argumentos.
Mas continuava a não gostar.
A situação só se alterou anos depois, isto é, na altura própria, e hoje Wagner integra a minha discoteca com uma parte “de leão”.
Na minha opinião, para se gostar de Wagner é preciso ter maturidade.
Concordam?

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Fritz Wunderlich



Hoje em dia, são poucos os que se lembram de Fritz Wunderlich (1930 – 1966), tenor alemão que morreu muito novo, mas que se celebrizou, ainda assim, na interpretação das óperas de Mozart.
Com muitas dificuldades económicas, trabalhava desde jovem numa pastelaria, custeando dessa maneira os estudos musicais, incentivado pelos clientes que o ouviam cantar enquanto trabalhava.
Com uma voz cristalina, Wunderlich também se notabilizou nos ciclos de Lieder de Schubert e Schumann.
Uma queda numas escadas terminou abruptamente uma carreira de sucesso, e ainda pior, uma vida que alcançava a glória por que tanto lutara.
Ei-lo no Tamino da “Flauta Mágica”.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Dietrich Fischer-Dieskau



Incorporado no exército alemão com apenas 18 anos, em 1943, Dietrich Fischer-Dieskau seria, pouco tempo depois, capturado pelos aliados em Itália, passando os dois anos seguintes como prisioneiro de guerra. E é nessas circunstâncias que começa a cantar Lieder para os seus companheiros de prisão.
Apesar de ter interpretado muitas Óperas, principalmente na Alemanha, mas também em outros palcos europeus, este grande barítono é um dos “ex-libris” do Lieder.
Na verdade, começando bem cedo (desde 1951) a gravar, acompanhado por virtuosos do piano como Gerald Moore, Dieskau ocupa um lugar ímpar, a tal ponto, que numa sondagem recente, levada a efeito por uma revista norte-americana, o barítono aparece no Top 10 dos melhores cantores de sempre.
Pessoalmente, gosto bem mais de o ouvir em Lieder do que em Ópera. Julgo que, para muitos papéis, lhe falta a “emoção” dos grandes barítonos italianos, sem a qual muitos papéis ficam... sem graça.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Joan Sutherland


“La Stupenda”.
Assim ficou e é conhecida a grande Joan Sutherland (nasceu em 1926, na Austrália), um dos maiores sopranos “colloratura”de sempre, uma voz inconfundível, com milhões de admiradores em todo o mundo.
Estreou-se em “Dido and Aeneas” em 1952 no seu país, e na Europa com “A Flauta Mágica” em Londres, no mesmo ano. E ainda nesse ano, cantou a “Norma” (no papel de Clotilde) com Callas no principal papel.
Depois, foram muitos anos de sucesso estrondoso, nomeadamente com Donizetti e Bellini, sendo extraordinárias a sua “Lucia di Lammermoor” ou a sua “Norma”.
A partir dos anos 70, e naturalmente, foi espaçando as suas aparições, e fez a sua despedida dos palcos, com 64 anos, nos “Huguenotes”.
Perguntaram-lhe há pouco tempo quais os seus cantores preferidos, respondendo que, em primeiro lugar, Kirsten Flagstad sem qualquer dúvida e logo depois Nicolai Ghiaurov, nos seus primórdios.
Inúmeras são as gravações que nos deixou, e é difícil fazer uma selecção, porque qualquer delas é fantástica.
Vamos ouvi-la na “Lucia”. Sem comentários.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

"Ernani"

Há óperas pouco conhecidas, e raramente levadas a cena, mesmo de compositores consagrados. Não fazem parte daquele conjunto de que mesmo o leigo trauteia uma ou outra ária, e são muitas vezes, injustamente esquecidas.
É o caso de “Ernani”, de Verdi.
Composta em 1844, foi a sua quinta ópera, baseada em Victor Hugo. A melodia é fantástica em todos os quatro actos, a intensidade dramática exige dos cantores uma capacidade cénica tremenda, as árias espectaculares sucedem-se, e “sente-se” Verdi constantemente.
Em 1982, o La Scala produziu uma representação desta Ópera, que ficou na memória de todos, porque felizmente foi gravada, e posteriormente editada em DVD.
O elenco é de luxo: Placido Domingo (Ernani), Mirella Freni (Elvira), Renato Bruson (D.Carlos) e Nicolai Ghiaurov (Gomez de Silva), nos principais papéis, acompanhados pela Orquestra do La Scala dirigida por Riccardo Muti.
Aconselho vivamente.
Vamos ouvir o terceto do quarto Acto de “Ernani”, “Cessaro i Suoni”, não dessa récita, mas de um concerto realizado em Nova York, com Placido Domingo, Deborah Voigt e Roberto Scandiuzzi.

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