sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Placido Domingo

A voz de Pavarotti é única. Ímpar.
Mas…há quem defenda que Placido Domingo (nasceu em 1941) é “o” tenor completo da sua geração, pois reúne todos os atributos necessários: voz, representação, presença.
E mesmo quando ambos estavam no apogeu, muitos preferiam Domingo.
Na verdade, o largo “leque” de óperas que já cantou, e que chega a Wagner, colocam-no entre os maiores tenores de todos os tempos. Indiscutível.
Estreou-se como barítono (Pascual em “Marina”) e como tal vai terminar a sua carreira em 2009, conforme já anunciou. Como tenor, aparece pela primeira vez em 1959 (Alfredo em “La Traviata”). E desde aí até hoje, o sucesso não parou.
Sabiam, por exemplo, que é seu o record de aberturas de época no MET? Aconteceu durante 21 (!) anos, superando Caruso.
É difícil para qualquer tenor celebrizar-se em papéis de ópera italiana e francesa, e brilhar em Bayreuth. Mas Placido Domingo conseguiu-o.
Veremos se a carreira de Maestro será tão bem sucedida.
Tenho sérias dúvidas, mas pelo menos, continuaremos a ver Domingo ligado à paixão da sua vida.


quarta-feira, 3 de outubro de 2007

"Vedetas"...

Angela Gheorghiu é, indiscutivelmente, um dos grandes sopranos actuais.
Mas hoje quero apenas fazer referência a uma notícia “a escaldar”.
A duas horas do ensaio geral de uma “La Bohème”, em Chicago, foi despedida e substituída por uma jovem ainda ilustre desconhecida.
Justificação da administração do teatro: faltou a seis dos dez ensaios.
Justificação da cantora: "conheço muito bem o papel e o meu marido precisava que estivesse mais tempo junto dele".

Ou seja…a candidata (?) a “diva” entende que não precisa muito de ensaiar…e talvez por isso esta situação de despedimento não seja inédita na sua ainda curta carreira.

Eu devo dizer claramente que detesto “vedetas”…. e faltas de humildade e profissionalismo.

sábado, 29 de setembro de 2007

Rita Streich


Rita Streich (1920-1987) foi um dos maiores sopranos “coloratura” da segunda metade do século passado.
Soprano “coloratura” significa que ornamenta o canto, de uma forma rápida, especialmente nos agudos. É aquilo a que se costuma chamar o canto “rouxinol”.
Russa, cresceu e viveu na Alemanha, tendo-se estreado durante a II Guerra Mundial no papel de Zerbinetta da ópera “Ariadne auf Axos”, de Strauss. E permanecerá em Berlim até 1952, quando surgem os convites para o La Scala, Bayreuth, Convent Garden, Salzburgo e Viena, isto é, para os grandes palcos europeus da Ópera.
E dado o seu tipo especial de voz, os seus sucessos foram tremendos nas operetas mais conhecidas.
Vamos ouvir Rita Streich em Donizetti.









terça-feira, 25 de setembro de 2007

Mirella Freni

É simultaneamente fácil e difícil escrever algo sobre uma das nossas cantoras preferidas. Desde sempre.
Mirella Freni, o grande soprano italiano da sua geração, cabeça-de-cartaz com Pavarotti, Placido Domingo e Carreras, uma geração dourada que dificilmente se repetirá.
Nasceu em 1935 em Modena, exactamente como Pavarotti. E com ele cantou um dos seus grandes êxitos, “La Bohème”, para mim a melhor de todas.
Mas Freni tem, para além disso, uma característica fora do vulgar: a gestão que fez da sua carreira, que lhe permitiu cantar até aos 64 anos, num nível elevado, com a “Fedora”.
Quem não tem, na sua discoteca, algumas das suas gravações?
“La Bohème”, “Madama Butterfly”, “Othello”, enfim, uma série enorme de óperas em que o seu talento é posto em evidência.
Foi casada com Leone Maggiera, grande maestro que muito a ajudou no princípio da sua carreira, e depois com o baixo Nicolai Ghiaurov, um nome que dispensa igualmente adjectivos.
Actualmente dá aulas de canto, e todos esperamos que consiga descobrir uma nova “Mimi”.


sábado, 22 de setembro de 2007

Janet Baker

É uma deusa em Inglaterra, venerada por gerações, e com razão.
Contralto, Janet Baker (nasceu em 1933) é uma intérprete sublime das óperas de Britten, que a celebrizou, a que acrescenta uma carreira notável no “lieder”. E na ópera barroca, meus senhores, é “só” …única.
Handel, Purcell, Monteverdi, Cavalli e Gluck dificilmente tiveram, têm ou terão intérprete como ela, de uma intensidade dramática absoluta, aliada a uma voz difícil de adjectivar.
Esta grande cantora não tem a auréola de popularidade que muitas outras, de bem menor qualidade, alcançaram, e tal deve-se a nunca ter transigido com um repertório mais “popular” ou “acessível”. Nesse aspecto, assemelha-se à grande Cecilia Bartoli.
Aconselho que escutem qualquer gravação de Janet Baker. Qualquer.
Mas “Ariodante”, “Dido e Eneias”, “Orfeu e Eurídice” e “Giulio Cesare” são, na minha opinião, pontos muito altos de uma longa e brilhante carreira.
E se não quiserem óperas completas, há um cd da EMI, da série “The Very Best of”, que aconselho vivamente.

Janet Baker.
Incontornável.


quarta-feira, 19 de setembro de 2007

"Concerto de Verão"

Fiquei estupefacto…
A RTP transmitiu, em directo, um Concerto da chamada música “erudita”!
Há quantos anos isto não acontecia?

A Orquestra Metropolitana de Lisboa, António Rosado e Elisabete Matos.
Belo cartaz!
Se tivesse de escaloná-los por ordem decrescente, face ao que vi, colocaria o pianista em primeiro lugar, depois o soprano e logo a seguir a Orquestra, que me pareceu nem sempre estar bem.
António Rosado esteve ao seu nível, isto é, excelente, na “Rhapsody in Blue” de Gershwin. Espectacular.
Elisabete Matos, mesmo contra a vontade do seu médico, cantou, e talvez por isso, ainda que estivesse num bom plano, não esteve seguramente no seu melhor.
Quanto à Metropolitana de Lisboa...não me fez esquecer, bem pelo contrário, Graça Moura.
Mas foram 90 minutos de bom nível.

Duas notas:

José Carlos Malato…a apresentar um Concerto…pode resultar no que veio a acontecer, que foi simplesmente julgar que o “Toreador” era de uma opereta…Nem Gabriela Canavilhas lhe valeu.

E uns meninos a rufarem tambores….para quê?

sábado, 15 de setembro de 2007

Zuleica Saque


Zuleica Elbling. Zuleica Saque.
O nome verdadeiro e o artístico, de uma grande cantora portuguesa.
Com apenas 18 anos ingressa no Coro do Teatro S.Carlos, mas só quatro anos depois é contratada para dois pequenos papéis em “Arabela” e “As Bodas de Fígaro”.
No ano seguinte, ainda em pequenas participações, canta ao lado de figuras como Régine Crespin e Renata Scotto.
É então convidada para fazer uma audição no Teatro da Trindade, onde Tomás Alcaide a contratou de imediato.
E assim começa uma carreira brilhante, que em Portugal é dividida entre os dois teatros.
Bolseira do então “Instituto de Alta Cultura”, e proposta por Gino Bechi, o soprano vai para Itália aperfeiçoar ainda mais a sua voz. Primeiro passo para a sua constante presença nos palcos internacionais, com Piero Cappuccilli, Alfredo Kraus, Sesto Bruscantini, Giuseppe Taddei e Franco Corelli, entre muitos outros.
Em 1971 substitui Mirella Freni no Gran Teatro del Liceo, em Barcelona, cantando a Margarida, do “Fausto”. Leram bem…cantou no lugar da “diva”, e bem.
Já nessa altura era uma cantora respeitada nos grandes palcos da Ópera, mas nem assim deixava de vir cantar ao seu país.
Zuleica Saque (nasceu em Lisboa, em 1941) vive actualmente em Itália.

Completamente esquecida em Portugal. Para não variar.
Tão esquecida…que nem uma fotografia decente consegui arranjar.
Peço desculpa pela qualidade desta, mas foi a possível numa velha revista.
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