sábado, 4 de agosto de 2007

Giovanni Martinelli


Um fenómeno.
Uma voz de tenor portentosa, uma longevidade como cantor quese inédita.
Martinelli nasceu em Padua em 1885, e estreou-se em Milão em 1910 no “Stabat Mater” de Rossini. Pouco depois, Puccini escolhe-o para a “Fanciulla del West” em Roma.
Não era vulgar, muito menos naquela época, um cantor europeu ser convidado a fixar-se nos Estados Unidos, no MET. Mas foi o que aconteceu, e Martinelli cantou neste “santuário” da Ópera de 1913 até 1945! E só raramente apareceu nos palcos europeus.
E aos 82 anos… ainda cantou o “Imperador” da “Turandot”!
É difícil destacar alguns dos papéis que interpretou, tal a qualidade de todos.
Um tenor sublime, como se pode comprovar através das gravações que nos chegaram.

domingo, 29 de julho de 2007

Rosa Ponselle


Filha de emigrantes italianos nos Estados Unidos, Rosa Ponselle começou bem cedo a cantar com a irmã em dueto, no “vaudeville” de Nova York.
Era uma dupla de sucesso, que um dia foi ouvida por Enrico Caruso. De tal maneira ficou impressionado com a voz da jovem Rose, que lhe arranjou um contracto para o MET, em 1918.
Aí se estreou com a Leonora da “La Forza del Destino”, exactamente com Caruso.
Sucesso tremendo!
Sucederam-se os grandes papéis de soprano, e em 1927 a “Norma”, que a celebrizou.
Na década de 30 cantou nos principais palcos europeus, e quando no auge da sua carreira, em 1937, decide retirar-se.
Uma decisão que a crítica da época recebeu mal, pois o soprano era uma das primeiras figuras, mas Rosa Ponselle acabara de casar com um milionário americano, e optou por uma vida longe dos palcos.
Perdia-se uma voz extraordinária e uma intérprete de excepção.
Felizmente deixou-nos inúmeras gravações, que podem ser facilmente encontradas, sendo difícil escolher.
Faz parte da lista das minhas cantoras preferidas.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Leontyne Price

Nascida em 1927, começou aos 5 anos a receber lições de piano, mas nessa idade já ouvia a mãe, também ela com uma bela voz, a cantar.
E na escola, fazia igualmente parte do Coro, aí se destacando desde logo.
Entendeu que queria ser professora de música, mas ao escutá-la, o Director do “College of Educational and Industrial Arts” conseguiu convencê-la de que o seu futuro residia muito mais no canto. E em 1948 ingressa na célebre “Juilliard School of Music”, em Nova York.
A sua estreia acontece em 1952, num papel de que se tornaria uma das maiores intérpretes, a Bess de “Porgy and Bess”.
A década de 50 é perfeitamente alucinante na sua carreira. Os papéis sucediam-se, o êxito sempre estrondoso. Entre muitos outros, “Tosca”, “A Flauta Mágica”, “Diálogo das Carmelitas”, “Aida”. Refira-se, a propósito desta última ópera, que Price cantou no La Scala em 1960, que foi a primeira cantora negra a cantar um papel principal naquele teatro.
Em 61 estreia-se no MET com a Leonora de “Il Trovatore”. A ovação durou 42 minutos…uma das maiores na história daquele “templo”.
E a década de 60 não foi mais descansada para o soprano. Perto de 120 representações.
Nem a seguinte.
Leontyne Price.
Um nome que dispensa comentários.
Ouvi-la é divino. É pelo menos esta a minha opinião.

domingo, 22 de julho de 2007

Régine Crespin

Morreu há poucos dias. Nascera em 1927.
Aluna brilhante do Conservatório de Paris, onde obteve as mais altas classificações, estreou-se em 1948.
Uma voz potente, enorme capacidade de representação, ela é em Bayreuth, nos anos 50, uma das grandes wagnerianas.
Canta pela primeira vez no MET em 1962, e escolhe "O Cavaleiro da Rosa", um dos seus papéis favoritos.
Em Salzburgo, com Karajan, aparece na Brunnhilde em 1967 e 1968.
Despede-se dos palcos em 1989, e é professora no mesmo Conservatório onde tanto se distinguira como aluna de 1976 até 1992.
Régine Crespin.
Mais uma grande voz que desaparece.


quinta-feira, 19 de julho de 2007

Jon Vickers

A primeira vez que o ouvi foi no célebre “Otello” com Mirella Freni, dirigidos por Karajan, em 1974. E fiquei, a partir daí, um seu admirador.
Este tenor canadiano nasceu em 1926, e estudou ópera em Toronto até partir para Inglaterra, onde ingressou na Royal Opera House em 1957, estreando-se com o Riccardo do “Baile de Máscaras”. Transferiu-se para o MET em 1960, aí cantando na estreia o Canio dos “Palhaços”, e onde durante anos e anos cantou tanto papéis wagnerianos como italianos, pois a sua voz permitia-lhe abarcar todos os tipos de tenor.
Colocava uma tal intensidade dramática nas suas interpretações, que se torna inolvidável para quem teve a sorte de a elas assistir.
Diria que Jon Vickers é um tenor diferente.


quinta-feira, 12 de julho de 2007

Giulio Neri


A sua vida foi muito curta (1909-1958), e a sua carreira artística durou pouco mais de vinte anos.
Mas foi seguramente um dos baixos mais importantes da sua geração, e as suas raras gravações ainda hoje são ouvidas com especial interesse.
Giulio Neri era um baixo “profondo”, daqueles que eu gosto de ouvir, no seguimento de Tancredi Pasero, e anterior à escola de Leste, nomeadamente a búlgara e a russa.
O grande barítono Tito Gobbi chegou a afirmar que o Grande Inquisidor de Neri no “Don Carlo” definia o papel.
Giulio Neri actuou principalmente na sua Itália natal, cantando em todos os principais palcos da Ópera, bem como na rádio.
Se puderem, e encontrarem, ouçam-no.
Prometo que, dentro em breve, voltarei a ele, para indicar algumas das gravações disponíveis.
Até lá, aqui o têm exactamente no Grande Inquisidor, ao lado de Cesare Siepi.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Teresa Berganza


Rossini, Mozart e Bizet são os três compositores que ajudaram a cimentar a carreira de Teresa Berganza, versátil cantora espanhola que interpreta papéis de mezzo mas também de soprano.
Estreou-se em 1955 como Dorabella em “Così Fan Tutte”, e logo depois fez a Rosina do “Barbeiro de Sevilha”, papel que não mais abandonaria e que a celebrizou.
Nascida em 1935 ( o mesmo ano de Freni e Pavarotti), Berganza foi a primeira mulher eleita para a Academia Real das Artes, em Espanha.
É actualmente professora na Escola Superior de Música de Madrid.
Mais uma enorme cantora lírica espanhola.
Ei-la na “Cenerentola”.
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