terça-feira, 3 de julho de 2007

Ramon Vinay


Ramon Vinay (1911-1996) foi um cantor chileno extraordinário.
Muitos associam desde logo o seu nome ao “Otello” de Verdi, tal a fama que a sua interpretação deste papel lhe granjeou. Justamente. Cantou-o pela primeira vez com Toscanini numa emissão radiofónica em 1947, récita que foi depois gravada e que ainda hoje é referência obrigatória para quem queira ouvir um excepcional “Otello”. Para muitos, o melhor de todos.
Barítono, mas também tenor, Ramon Vinay interpretou toda a panóplia de papéis conhecidos para estas duas vozes, e sempre com grande brilho.
Mas para sempre ficará como…”Otello”.

domingo, 1 de julho de 2007

Magda Olivero

O que melhor define e distingue este soprano é a sua “expressividade”.
Por vezes, para quem a escuta pela primeira vez, não é fácil gostar, exige um maior número de audições, e então consegue-se apreciar o talento, a riqueza da interpretação.
Para muitos foi a maior “Adriana Lecouvreur”.
Magda Olivero, que nasceu em 1910, estreou-se em 1932 numa emissão radiofónica em Turim, e daí para todos os principais palcos italianos durante uma década. Em 1941 casou-se e retirou-se.
Voltou mais tarde exactamente para cantar a “Adriana”, e só cantará no MET em 1975 na “Tosca”. Tinha 65 anos!
As suas últimas aparições em palco datam de 1981, com “La Voix Humaine” de Poulenc.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Ana Ferraz


Há poucos anos vi-a no “Elixir de Amor”. Uma bela voz, excelente presença em palco.
O soprano Ana Ferraz, que eu conhecia da Ópera de Câmara do Real Teatro de Queluz, (com Carlos Guilherme, Wagner Diniz e Elsa Saque), foi discípula de grandes Professores, bastando citar Hugo Casaes, Elsa Saque e Helena Pina Manique, a nível nacional, e fez cursos em Itália com Gino Bechi e Magda Olivero, por exemplo.
Estreou-se em São Carlos em 1991, numa ópera portuguesa quase desconhecida, “Amor de Perdição” de António Emiliano. Mas ali cantou diversas óperas, entre as quais “Gianni Schicchi”, “Don Giovanni” e “La Spinalba”.
Tem vários cd editados, mas é preciso procurar bem nas discotecas, porque neste País estes valores líricos estão praticamente votados ao ostracismo pelos pontos de venda. Mas se perguntarem, talvez tenham sorte…

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Carlo Bergonzi


Há quem muito o admire e quem não goste assim muito.
Sabem porquê?
É que Carlo Bergonzi fala “axim” e não “assim”, e no seu canto, em muitas palavras, torna-se muito evidente e estranho.
Mas…apreciando a sua voz, temos de o colocar na galeria dos grandes tenores do século XX.
Nascido em 1924, foi prisioneiro de guerra dos alemães na II Grande Guerra. Quando esta terminou, regressa a Itália e inicia os seus estudos de canto.
Estreia-se como barítono em 1947 (Schaunard em “La Bohème”), e assim canta durante alguns anos, até que em 1951, com a voz reeducada, aparece como tenor com o “Andrea Chenier”.
Estreia-se no La Scala em 1953, e em 1955 canta pela primeira vez nos Estados Unidos, em Chicago.
Cantou com todas as grandes figuras da Ópera do seu tempo, e são inúmeras as gravações que nos deixou.
Retirado, Bergonzi é dono de um hotel em Busetto, a que chamou “I due Foscari”.

Vamos ouvi-lo na célebre ária “Quando le sere al placido” da “Luísa Miller” de Verdi, seu compositor preferido.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Barbara Hendricks


A norte-americana Barbara Hendricks é uma cantora diferente.
Licenciada em Matemática e Química, resolveu que o canto seria a sua profissão, concluindo a Juilliard School of Music.
A sua voz é notável, mas apesar de inúmeras participações em ópera, Barbara sempre preferiu o Lieder, que foi e é o grande “condutor” da sua carreira.
Só que o soprano bem cedo resolveu colocar o seu talento ao serviço de causas nobres, como a dos refugiados, com quem colaborou durante mais de vinte anos, fundou em 1998 a “Barbara Hendricks Foundation for Peace and Reconciliation”, e esteve presente em Timor Leste no Dia da Independência como convidada especial.
Assistir a um concerto seu é fantástico, e Lisboa já teve várias oportunidades de o fazer, pois a cantora vem regularmente à Gulbenkian.
Desde 1977 vive na Europa, sendo cidadã sueca.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Montserrat Caballé


A Ópera “deve” muito a Espanha.
Nela nasceram grandes figuras da cena lírica, muitas outras que não sendo geniais têm contribuído, ao longo dos tempos, para a glória desta Arte.
Uma das maiores é, sem dúvida, Montserrat Caballé.
Catalã (nasceu em Barcelona em 1933), começou a sua carreira na Suiça, no final dos anos 50, integrando em Basileia a companhia de Ópera local, onde curiosamente interpretou Mozart e Strauss, e não os grandes compositores italianos.
Mas é com Donizetti que se torna estrela mundial, em 1965, quando em Londres interpretou a “Lucrezia Borgia”. 25 minutos de aplausos e chamadas ao palco!
Desse espectáculo, ficou a célebre ( e na minha opinião, exageradíssima) frase de um conhecido crítico : “Callas + Tebaldi = Caballé”.
É com Donizetti, mas também com Bellini e Rossini, que Caballé se torna um ídolo.
Torna-se fastidioso enumerar os seus êxitos.
Ouvir as suas gravações, nomeadamente todas as dos anos 60, é suficiente para considerar Caballé uma Diva.
Ei-la como Leonora, do “Il Trovatore”:

sábado, 16 de junho de 2007

Waltraud Meier


Mais um mezzo.
Mais um…não! Um dos maiores!
Waltraud Meier, que nasceu em 1956, na Alemanha, é uma wagneriana de enorme categoria.
Estreou-se em 1976 na ópera de Wurzburg, sua cidade natal, cantando a Lola da “Cavalleria Rusticana”, e internacionalmente em 1980 no Cólon de Buenos Aires; em 1983 chega pela primeira vez a Bayreuth para cantar o “Parsifal”. Foi considerada a melhor em palco e não mais parou.
Curioso o facto de não interpretar apenas os papéis wagnerianos para mezzo, mas também os de soprano como Isolda e Sieglinde.
É um espanto vê-la, porque além de excepcional cantora é igualmente uma grande intérprete dramática.
Ouçamo-la como Isolde. Sublime!


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