domingo, 20 de maio de 2007

Anna Netrebko


Da Rússia sempre vieram óptimos cantores.
Mesmo que não muito conhecidos na Europa Ocidental, encantavam nas suas produções locais, e durante os anos da “guerra-fria”, raros foram os que obtiveram autorização para cantar fora do espaço de influência da União Soviética.
Mas agora surgiu Anna Netrebko.
E o mundo da ópera parou para admirá-la.
Muito nova, já tem em palco a desenvoltura das grandes estrelas, a sua voz é espantosa, a figura ajuda.
Com Villázon, têm formado “o par” soprano-tenor da actualidade, superando, na minha opinião, outro par famoso e recente, Gheorghiu-Alagna, por achar que este é um tenor apenas vulgar.
Netrebko é espantosa.
Via-a recentemente numa “Manon” de Massenet, e fiquei absolutamente fascinado com o à-vontade, a voz, a presença.
Vamos ouvi-la em “La Traviata”, outra gravação que já existe em dvd, e que recomendo.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Que inveja!

Na excelente revista espanhola “Ópera Actual”, li um artigo sobre a situação actual do espectáculo lírico no país vizinho, que além de alguma escondida inveja, me deixou impressionado. Não por pensar que “nuestros hermanos” estavam condenados à mesma “vil tristeza” que nós, mas porque de facto é outro mundo, e mesmo aqui ao lado.

Diz a articulista, Mercedes Pons, que até há duas décadas, a ópera só chegava a meia dúzia de cidades.
Primeiro ponto de reflexão. A quantas cidades portuguesas chega, hoje em dia, a Ópera?
Depois enuncia o “Top 10” das óperas que Espanha viu nos últimos 10 anos:

La Traviata (45 produções)
Rigoletto
Madame Butterfly
La Bohème
Tosca
Zauberflaute
Don Giovanni
Carmen
Cosí Fan Tutte
L’Elisir d’Amore (25 produções)

Segundo ponto de reflexão. Não lhes parece que para além de satisfazer o público mais conhecedor, houve igualmente a preocupação de captar novas audiências?

E Mercedes Pons termina o seu artigo lamentando que os maiores intérpretes actuais actuem poucas vezes em Espanha, e cita, entre muitos, Flores, Villázon, Kasarova, Larmore, Dessay. Sem esquecer aqueles em fim de carreira, como Ramey, Marton, Meier, Anderson, Van Dam.

Ou seja…é outra constelação….

Destes nomes, os poucos que Portugal teve oportunidade de ver, foi em recitais na Gulbenkian, e nunca numa ópera completa em S.Carlos, por exemplo.

Não posso terminar, sem referir um facto sintomático.
Huelva.
Pequena, muito pequena cidade espanhola.
Pois o seu “Ayuntamento” (a Câmara Municipal), com o apoio de um banco, acaba de formar a Orquestra Sinfónica de Huelva, com mais de 60 elementos.

Palavras…para quê?

sábado, 12 de maio de 2007

"Il Trovatore" (2)

Prosseguimos com “Il Trovatore”.

Quem não conhece o chamado “Coro dos Ferreiros”?
Já serviu para tudo, até para publicidade a uma cerveja…e é uma das páginas mais conhecidas do fabuloso livro da Ópera.
E a ária “Stride la Vampa”, que Azucena (mezzo) canta na sequência do Coro?
É uma parte dificílima para a cantora, porque se exige não só uma excelente voz como também uma capacidade cénica de interpretação fabulosa.

Coloquei dois “clips” da ária propositadamente.
O primeiro é retirado de um fabuloso “Trovador” no MET, com James Levine a dirigir a Orquestra, Pavarotti, Sherrill Milnes, Eva Marton e Dolora Zajick como Azucena. Em 1988.
Zajick é uma das boas intérpretes actuais do papel.



Mas… agora assistam à mesma ária cantada por Fiorenza Cossotto em 1977.
Não comparem….não é preciso….
Tive a felicidade de a ver ao vivo em S.Carlos, por essa altura, num “Trovador” inesquecível, que o grande mezzo arrebatou por completo.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Saber da sua "arte"....


Pois é…não há nada como saber da sua “arte”….

O “Metropolitan” de NY quer atrair maiores audiências para a ópera, principalmente o público jovem. E os seus responsáveis entenderam, e muito bem, que tal desiderato não se atinge com publicidade nos jornais… Resolveram que, via satélite, seria possível levar os espectáculos do Teatro a muitas cidades dos Estados Unidos, Canadá e vários países, nos quais, cronicamente, Portugal não está incluído. 275 gigantescos écrans de alta definição serão montados em grandes espaços ao ar livre,
E para estreia desta “mega-operação”, escolheram “O Barbeiro de Sevilha”, a que se seguirão mais cinco óperas. Tudo transmitido em directo.
O que aconteceu?
As lotações já estão esgotadas, e as dezenas de milhar de novos “amantes” da Ópera pagaram 18 dólares por cada bilhete. Mais ou menos 18 euros…para assistir a um espectáculo do “MET”… De graça, diria.

Pois é…não há nada como saber da sua “arte”…

domingo, 6 de maio de 2007

"Il Trovatore"

Voltamos a Verdi.

“Il Trovatore”, ópera estreada em 1853 em Roma.

É daquelas óperas que qualquer leigo ouve do princípio ao fim sem aborrecimento, tantas as árias que facilmente “entram no ouvido”, melodiosas e bonitas.
Por isso, faz parte daquele conjunto que integra qualquer “série” de iniciação a esta nobre arte.
Ouviremos “Tacea la Notte”, ária que Leonora (soprano) canta no 1º acto, ela que é amada pelo Conde de Luna (barítono) e Manrico (tenor), este último “Il Trovatore”, que dá o nome à ópera.
Muitos sopranos célebres cantaram Leonora, sendo difícil destacar um.
Aqui vamos ouvir Antonietta Stella, uma das excelentes intérpretes do papel.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

"Séguedille"

Continuamos na “Carmen”, que foi estreada em Paris em 1875, tendo sido um fiasco nessa ocasião, o que aliás sucedeu a muitas das outras óperas mundialmente reconhecidas depois como extraordinárias. Diga-se até que Bizet ficou tão chocado com o fracasso, que morreu três meses depois da estreia, triste e desiludido.
Se a “Habanera”, que ouvimos anteriormente, é célebre, o que ouviremos agora, a “Séguedille”, não o é menos.
É com ela que Carmen, presa por ter agredido uma colega da fábrica de tabaco onde trabalhava, seduz e convence Don José a libertá-la, aí se iniciando uma relação tempestuosa que constitui o enredo da ópera.
Para a cantar , a grande Fiorenza Cossotto, um “mezzo” excepcional de quem já falámos neste blogue, aqui na fase inicial da sua carreira.

terça-feira, 1 de maio de 2007

"Habanera"

Vamos ouvir Bizet.
Bizet é, na ópera, sinónimo de “Carmen”.
E “Carmen” é, para a maioria dos leigos, “Habanera”.

Nela, Carmen apresenta-se, digamos que funciona como “cartão-de-visita” da personagem para o resto da ópera.
Uma mulher do povo muito desejada pelos homens, e que encara o amor com grande ligeireza, mas avisando que “se eu te amar…toma cuidado!”.

Maria Callas foi uma intérprete de excepção da “Habanera”, e porque todos a conhecem neste trecho, resolvi anexar a este post uma preciosidade histórica diferente.
A grande e hoje muito esquecida Rosa Ponselle, soprano americano que conheceu o seu apogeu nos anos 20 e 30, num raro registo que se saúda.
É que ainda se encontram destas “preciosidades” neste reconfortante mundo da net.
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