
É fácil escrever algo sobre Franco Corelli (1921-2003).
Um dos maiores tenores italianos de todos os tempos, e praticamente “autodidacta” ( o pai era um simples marinheiro), Corelli cantou durante três décadas, sempre ao mais alto nível, arrebatando multidões, especialmente as constituídas pelo sexo feminino…dada a sua postura de “galã” nos palcos.
Vão perdoar, mas não posso deixar de aqui deixar registado como era conhecido em S.Carlos, teatro onde cantou inúmeras vezes: o “Pipi das damas”, tal o sucesso que tinha. “Pipi” era sinónimo de “elegante”, e essa expressão perdeu-se no vocabulário vernáculo. Muitas das senhoras das estolas…iam à ópera para o ver…mais que ouvir…
Todos os grandes papéis de tenor foram desempenhados e gravados por Corelli, que tinha na mulher o seu maior crítico. São conhecidas as discussões quase públicas entre ambos depois das récitas, quando ela o aconselhava a corrigir este ou aquele pormenor. No entanto, foram sempre um casal muito unido, e inseparável até à morte.
Muitos lamentam que este tenor não tenha sido o par de eleição de Callas, que cantou a maioria das vezes com um Giuseppe Di Stefano que, na minha modesta opinião, estava a “anos-luz” de Corelli. Disso se terá aproveitado Renata Tebaldi, que fez duetos inesquecíveis com Franco Corelli.
Um grande cantor.
Um grande senhor da lírica.