domingo, 18 de março de 2007

Ettore Bastianini


Nasceu em Siena em 1922, e participou na II Guerra Mundial na Força Aérea italiana. Estreou-se em 1945, na sua terra natal, cantando árias de “La Bohème” e do “Barbeiro de Sevilha”. Só que começou como “baixo”, e como tal cantou nos sete anos seguintes. O seu primeiro papel como barítono é o do velho Germont de “La Traviata”, que canta em 1952. E foi um fiasco, que o obrigou a retirar-se dos palcos e a aperfeiçoar a sua voz. Quando voltou, impôs-se definitivamente como um dos maiores barítonos que a Ópera conheceu. Fez parcerias com os maiores nomes da lírica, como Callas, Zeani, Simionato, Scotto, Kraus, Jurinac, Corelli, para citar apenas alguns.
Bastianini morreu muito novo, com 44 anos. Mas as duas décadas em que cantou foram suficientes para o tornar lendário. A morte prematura, por cancro, ajudou apenas a alimentar o mito, que o cantor amplamente mereceu.
Alguém disse que a sua voz era “um diamante”.

quarta-feira, 14 de março de 2007

Nicolai Ghiaurov


Na tradição búlgara de excelentes (talvez os melhores) baixos, Ghiaurov ocupa, por mérito próprio, lugar de destaque.
Um dia, perguntaram a Joan Sutherland, “La Stupenda”, qual a melhor voz que alguma vez tinha ouvido, e a diva, que habitualmente não responde a esse tipo de perguntas, afirmou peremptória: “Ghiaurov nos primeiros anos de carreira”.
A sua preparação musical foi feita no Conservatório de Moscovo, de 1950 a 55, ano em que se estreia, como D.Basilio no “Barbeiro de Sevilha”, em Sófia. E o La Scala recebe-o em 1960 para um “Boris Godunov” memorável, ao que rezam as críticas de então.
Baixo “profundo”, apareceu pela última vez fazendo o Sparafucile, do “Rigoletto”.
Foi casado durante muitos anos com a grande Mirella Freni, com quem fez inúmeras óperas e recitais.
Morreu em 2004.
E não se “vê” o seu sucessor…

segunda-feira, 12 de março de 2007

Fiorenza Cossotto


Nasceu no mesmo ano que Mirella Freni e Pavarotti. 1935.
Estudou na Academia de Música de Turim, e foi a melhor aluna do seu curso.
Estreou-se no “Diálogo das Carmelitas” de Poulenc, em 57, no Scala, mas é a sua “Neri” que faz na “Medeia”, com Maria Callas como protagonista, no Covent Garden em 59, que a transporta para a fama.
Só quase dez anos mais tarde faz a sua primeira “Amneris”.
Fiorenza Cossotto é “o” mezzo da sua geração em óperas de Verdi.
Vê-la no Trovador, em S.Carlos, foi uma das grandes experiências musicais a que tive a sorte de assistir. É difícil haver outra “Azucena” que se lhe compare, nos dias de hoje.
Voz potente, actriz dramática excepcional. Reparem nos seus olhos.
“Falam”. “Cantam”.
Durante décadas foi casada com o baixo Ivo Vinco, mas o divórcio surgiu após 40 (!) anos de vida em comum.
Fiorenza Cossotto é a última de uma tradição de “mezzos” italianos, que teve, anteriormente, em Fedora Barbieri e Giulietta Simionato, os seus maiores expoentes.

sexta-feira, 9 de março de 2007

Hermann Prey


A sua juventude passou-se na Alemanha nazi, mas o fim da Guerra permitiu-lhe, aos 15 anos, ir aperfeiçoar a sua bela voz de barítono em Berlim, com conceituados professores.
Dá o seu primeiro concerto de "Lied" em 1952.
Estreia-se em Bayreuth em 56, no "Tannhauser".
O nome de Prey surge de imediato associado ao de um compositor : Mozart. Na verdade, parecia que estava mais à vontade nas óperas do Génio. Nunca esqueço as suas "Bodas de Fígaro" com a grande Mirella Freni, que felizmente existe em dvd.
Mas não foi só em Mozart que Prey brilhou: Verdi, Rossini, J.Strauss, entre muitos outros, fazem parte do seu rol de sucessos.
Foi fundador do Festival Schubert, ele que nos seus concertos de "Lied" elevou este compositor a um patamar magnífico.

quarta-feira, 7 de março de 2007

Mario Del Monaco


É um nome injustamente esquecido, o deste tenor italiano que fez furor nos anos 40 e 50 do século passado. Além de uma excelente voz, colocava nas suas interpretações uma postura de “actor” que falta a muito boa gente, antes e depois dele. Era completo.
Filho de uma abastada família de Florença, onde nasceu em 1915, foi colega de Renata Tebaldi no Conservatório Rossini, em Pesaro.
Estreou-se em 1940, como “Pinkerton”, em Milão, no Teatro Puccini.
Mas o seu grande papel, pelo menos aquele em que mais o admiro e onde relevam todas as suas capacidades, é o “Otello”, que cantou durante vinte e muitos anos. A carga dramática da personagem tem em Del Monaco um intérprete como raramente se viu outro.
Uma curiosidade: foi sepultado com o fato que usou nesta ópera, nas suas últimas récitas. Um pouco estranho ou bizarro, mas que diz bem do amor que o tenor dedicava a este papel, que lhe granjeou, em grande parte, a fama que tinha.
É possível encontrar inúmeras gravações de Mario Del Monaco no mercado, e muitas com Tebaldi. Claro que o seu “Otello” é imprescindível.
Faleceu em 1982.
Em anexo poderão ouvir o grande tenor nos "Palhaços".
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domingo, 4 de março de 2007

Anna Moffo



O soprano Anna Moffo, falecida o ano passado com 74 anos, aliava a uma voz excepcional uma beleza física impressionante. De tal maneira, que Hollywood lhe abriu as portas para uma carreira cinematográfica, mas ela recusou, pasme-se, porque queria ser freira! O seu destino não seria esse, dado que, beneficiando de uma bolsa, foi estudar música em Filadélfia. Aluna exemplar, conquista aí outra bolsa para, em Itália, frequentar o Conservatório de Santa Cecilia, em Roma. Estreia-se no Scala, no Festival de Salzburgo e na Ópera de Viena em 1956 no “Falstaff”. Em Viena o maestro era Karajan.
De entre as suas inúmeras interpretações nos anos 60, destaque para a “Gilda” do Rigoletto, “Manon” na ópera de Massenet, “Margarida” no Fausto, e ainda a “Micaela” na Carmen. E talvez acima de todas estas, na minha opinião, a sua “Amina” na Sonâmbula.
Recomendo vivamente um DVD editado há poucos anos nos EUA, uma “Traviata” em que Moffo é acompanhada por Bonisolli e Gino Bechi, uma rara oportunidade não só de ver a grande cantora, mas também o enorme barítono.
Moffo dividiu a sua carreira entre Itália e os Estados Unidos, sendo em ambos os países uma personalidade “de culto” no mundo da ópera.
A razão que justifica esta fama…não se sabe bem. Se pela voz, se pela beleza física.
Mas como este é um blogue dedicado à Ópera, quero crer que…por ambas.

sexta-feira, 2 de março de 2007

Birgit Nilsson



Soprano lírico, Nilsson fica na história da ópera como uma das maiores intérpretes de Wagner e de Richard Strauss.
Como muitas vezes acontece, começou a cantar no coro da igreja da pequena aldeia sueca onde nasceu. O maestro logo percebeu estar diante de uma promissora cantora, mas o pai preferia que ela se dedicasse à gestão da pequena fazenda que possuía.
Mas com 23 anos vai para o Conservatório de Estocolmo.
Estreia-se cinco anos depois, em 1946, na Ópera Real Sueca no papel de “Agathe” de “Der Freischutz” de Weber, e só em 1956 canta nos Estados Unidos a “Isolde”, (que interpretaria mais de 200 vezes) e em Bayreuth a “Else” do “Lohengrin”.
Inesquecível é também a sua “Elektra” de Strauss.
E o que mais espanta em Birgit Nilsson, é que sendo considerada uma “wagneriana”, cantasse com a mesma qualidade papéis “italianos”.
Ainda hoje é considerada a melhor “Turandot”, e uma extraordinária “Lady Macbeth”.
A grande cantora morreu em 2005.
Qualquer gravação sua merece estar nas nossas colecções de ópera.
Saliência para a sua “Isolde” de 1966, cantada em Bayreuth com a direcção de Karl Bohm, ou qualquer das “Elektra”.

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